O alemão faleceu, nome do "teatro do absurdo", faleceu aos 91 anos.
O dramaturgo alemão Tankred Dorst morreu esta quinta-feira, informou a editora Suhrkamp, que publicou a obra do Prémio Georg Büchner, autor proibido em Portugal antes do 25 de Abril, mas que Os Bonecreiros e o Teatro Aberto encenaram.
Autor de mais de 50 títulos, Tankred Dorst, que morreu aos 91 anos, inscreve-se na corrente do chamado "teatro do absurdo", corrente de vanguarda que se afirmou nos anos de 1960, a par de autores como o franco-romeno Eugène Ionesco, o irlandês Samuel Beckett e o britânico Harold Pinter.
"A grande imprecação diante das muralhas da cidade", uma crítica ao poder e à determinação que as transformações da sociedade impõe, foi apresentada em Portugal em 1974, pelo grupo teatral Os Bonecreiros, e retomada 30 anos mais tarde pelo Tetro dos Aloés, nos Recreios da Amadora e no Teatro Joquim Benite, em Almada.
Em 1997, João Lourenço dirigiu "Fernando Krapp escreveu-me esta carta", no Teatro Aberto, com Alexandra Lencastre e João Perry.
A primeira interpretação de Tankred Dorst em Portugal esteve prevista para um ciclo da nova dramaturgia alemã, programada pelo Goethe Institut, de Lisboa, e pelo seu responsável, o escritor e ensaísta Curt Meyer-Clason, em 1972.
O Instituto viria a ser alvo de uma busca da polícia política da ditadura e o programa proibido, por as peças programdas não terem sido submetidas a parecer da comissão de censura.
Na obra de Tankred Dorst destacam-se obras como "Merlín ou a terra devastada" ("Merlin oder Das wüste Land"), "Era glaciar" ("Eiszeit") ou a sua dramaturgia para "O Anel de Nibelungo", a tetralogia de Richard Wagner, que causou polémica no festival de Beyreuth, em 2010, sob a direção do maestro Christian Thielemann, depois de o cineasta dinamarquês Lars von Trier ter abandonado o projeto.
Em 1990, Tankred Dorst recebeu o galardão máximo das letras alemãs, o Prémio Georg Büchner, em reconhecimento pela sua carreira literária e, em particular, pela sua contribuição para o teatro.
Tankred Dorst nasceu na Turíngia, em 1925, numa família de empresários industriais, tendo sido incorporado na Wehrmacht, exército de Adolf Hitler, nos últimos anos da II Guerra Mundial. Após a derrota nazi, foi feito prisioneiro no Reino Unido e na Bélgica.
Libertado em 1947, completou os estudos de literatura e assinou as primeiras peças nos anos de 1950, para o teatro de marionetas, que fundou com o compositor alemão Wilhelm Killmayer (Das kleine Spiel/ O pequeno teatro).
Foi só na viragem para a década de 1960, que chegou ao drama e aos principais palcos alemães, como o Nacional de Mannheim e o de Heidelberg, transpondo para literatura a reflexão sobre as transformações históricas do seu tempo.
Dorst manteve-se ativo até perto do final, com estreias anuais que muitas vezes partilhou com sua mulher, Ursula Ehler, que o acompanhava desde 1971.
"O teatro é uma arte impura, o que lhe confere o seu poder vital", escreveu Dorst, na mensagem do Dia Mundial do Teatro, em 2003. "O teatro será sempre capaz de se encher de vida, enquanto sentirmos necessidade de mostrar a uns e a outros o que somos e o que não somos e o que deveríamos ser".
Pela reflexão que impõe sobre a condição humana no seu próprio tempo, "o teatro é um dos maiores inventos da humanidade, tão importante como a descoberta da roda ou o controlo do fogo", escreveu Dorst nessa mensagem da UNESCO, concluíndo-a em exclamação: "Longa vida ao teatro!"
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