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"Não pude segurar a minha filha": bebés retirados há dois anos devido à guerra regressam a Gaza

Bebés foram levados em 2023 quando as forças israelitas invadiram o hospital onde estavam internados, sob a acusação de que estaria a ser utilizado pelo Hamas para fins militares.

01 de abril de 2026 às 14:49
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Bebés retirados há dois anos devido à guerra regressam a Gaza

AP

Nunca conheceram os pais e nunca conheceram Gaza. Nasceram prematuramente, há dois anos, e foram retirados para o Egito após as forças israelitas realizarem ataques no hospital onde estavam internados. Esta segunda-feira, regressaram para juntos dos pais num futuro marcado pela incerteza. 

As 11 crianças reencontraram as suas famílias em Gaza como parte de uma missão organizada pela ONU que, para além de trazer lágrimas de alegria, marcou o fim de um dos capítulos mais dolorosos da guerra.

Os bebés estavam entre os 29 prematuros que foram levados da unidade intensiva neonatal do hospital Al Shifa, em Gaza, em novembro de 2023, quando as forças israelitas invadiram o hospital sob a acusação de que estaria a ser utilizado pelo Hamas para fins militares, avança a Reuters.

Com os ataques a acontecer e a fronteira com o Egito fechada, os bebés só puderam ser acompanhados por médicos, deixando os pais para trás.

"Não lhe pude tocar, não pude segurar a minha filha durante estes dois anos e meio", disse uma das mães das crianças, Sundus Al-Kurd, enquanto abraçava a filha, Bissan, durante o reencontro. "Hoje é como um novo aniversário, com um novo começo, e vou compensar tudo o que a minha filha perdeu, se Deus quiser", acrescentou. 

Sete dos 29 bebés retirados morreram enquanto estavam no Egito, informaram os médicos. Além dos 11 que retornaram a Gaza, as restantes crianças estão com as famílias fora do território palestiniano. 

A missão de reunir as crianças com os pais foi possível devido a um acordo mediado pelos EUA em outubro de 2025, que pôs fim à maior parte dos combates e que, mais tarde, permitiu que Israel reabrisse a única passagem da fronteira de Gaza com o Egito. 

Durante estes dois anos, Israel acusou regularmente o Hamas de usar hospitais para armazenar armas e ocultar túneis e militares, no entanto, o grupo negou essas acusações.

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