Algumas das especificidades da parceria podem demorar cerca de um ano.
O embaixador da UE em Londres, Pedro Serrano, admitiu, esta terça-feira, que algumas das especificidades da parceria estratégica entre o Reino Unido e os 27 apresentada na segunda-feira podem demorar cerca de um ano.
"Penso que, se tivéssemos de apresentar tudo o que está contido nestes vários documentos, seria necessário pelo menos mais um ano para os apresentar formalmente, porque se trata de questões complexas. Mas foram acordados muitos parâmetros importantes", vincou, durante um evento organizado pelo centro de estudos Chatham House.
O diplomata acrescentou que "existe um compromisso de avançar com estes assuntos" e que espera que demore menos tempo.
No entanto, vincou, "para uma negociação que demorou relativamente pouco tempo, é um resultado muito bom".
A UE e o Reino Unido anunciaram em Londres, na segunda-feira, uma parceria estratégica durante a primeira cimeira bilateral pós-Brexit [saída do Reino Unido da UE], cujas negociações só foram concluídas horas antes.
Além de um pacto de segurança e defesa, foram acordados uma série de compromissos, como a conclusão de um acordo veterinário que elimine controlos aduaneiros e burocracia sobre produtos agroalimentares, a criação de um regime de mobilidade juvenil e o regresso do Reino Unido ao programa de intercâmbio estudantil Erasmus.
A Comissão Europeia e o Reino Unido vão também explorar a possibilidade de um acordo para a participação do Reino Unido no mercado interno da eletricidade da UE e a convergência dos sistemas de comércio de licenças de emissões poluentes europeu e britânico.
Londres e Bruxelas também prometeram mais cooperação nas áreas da justiça e combate à imigração ilegal e o acesso do Reino Unido ao passaporte para animais de estimação europeus e aos 'eGates' nos aeroportos de mais países europeus.
Em termos de pescas, o Reino Unido aceitou prolongar o acesso dos barcos europeus às águas britânicas até junho de 2038 com as mesmas quotas.
Alguns dos acordos anunciados, como o das pescas, têm previsto um prazo de um mês para a conclusão, mas para outras matérias não existe um quadro temporal.
A parceria, reivindicou Serrano, é "um verdadeiro ponto de viragem que reforça a relação, reforça-a em termos de segurança e defesa, em termos de prosperidade e economia, em termos de contactos entre pessoas, na abordagem dos desafios em matéria de segurança, cooperação judicial, cooperação policial, migrações".
O embaixador argumentou que, "para uma negociação que demorou relativamente pouco tempo, é um resultado muito bom".
O professor de Política Europeia e Negócios Estrangeiros, Anand Menon, considerou que o conteúdo da parceria estratégia anunciado na segunda-feira "foi mais amplo do que esperava, mas fino".
"Fiquei ligeiramente desiludido com o pouco que foi efetivamente acordado. A UE ainda tem de obter mandatos para uma grande parte das coisas e há negociações difíceis, em particular sobre as contribuições financeiras [britânicas], suspeito eu, que ainda estão por vir", avisou, no mesmo evento.
O analista, diretor do centro de estudos UK in a Changing Europe, afirmou que "é difícil não ficar bastante desapontado" com parte dos acordos apresentados pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
"O pacto de segurança e defesa está repleto das habituais palavras de interesse comum, mas, na verdade, o que vamos fazer para promover esses interesses comuns é muito, muito pouco", salientou.
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