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No único país da União Europeia sob ocupação militar, há solidariedade com a Gronelândia

Chipre, que lidera a presidência semestral da União Europeia (UE), é o único Estado-membro com ocupação militar após a invasão turca do norte em 1974.

17 de janeiro de 2026 às 11:27

Chipre, que lidera a presidência semestral da União Europeia (UE), é o único Estado-membro com ocupação militar após a invasão turca do norte em 1974, e ali se manifesta solidariedade com a Gronelândia face às ameaças norte-americanas.

Ter uma capital separada por uma "linha verde" -- zona tampão patrulhada pelas Nações Unidas que separa a República de Chipre, reconhecida internacionalmente, do norte controlado pela Turquia -- é uma realidade o país mediterrânico mais oriental que enfrenta há mais de 50 anos, na sequência da invasão turca.

"Ainda temos esperança que um dia a realidade seja diferente", diz várias vezes uma guia turística numa visita guiada à capital cipriota, Nicósia, a única capital da UE ainda dividida por uma zona tampão.

Ali, os edifícios de tom bege e cor de areia a refletir o sol intenso confundem-se com as barreiras de betão, o arame farpado e os sacos de areia resultantes da ocupação militar, numa vida urbana em suspenso vigiada por postos de observação e torres com tropas cipriotas.

Numa cidade rodeada por montanhas com bandeiras turcas cavadas, as ruas estreitas e sinuosas são silenciosas e despidas, dadas as várias casas abandonadas após a ofensiva turca, resultando em centenas de edifícios devolutos e em vegetação a crescer entre fendas.

Chega a haver mais gatos do que pessoas no centro histórico da capital, observa a guia turística.

"Somos o último Estado-membro da UE que se encontra sob ocupação militar", mas "é aí que reside a força" de Chipre, comenta por seu lado a vice-ministra dos Assuntos Europeus, Marilena Raouna, num encontro com a imprensa europeia que esta semana visitou o país, incluindo a Lusa, a propósito do arranque da presidência cipriota do Conselho.

"Quando falamos sobre a importância de defender o direito internacional, de respeitar a integridade territorial, a soberania e a independência - seja na Ucrânia ou no caso da Dinamarca e da Gronelândia -, fazemo-lo com base na nossa experiência pessoal", acrescenta Marilena Raouna.

Devido à intervenção militar que resultou na ocupação de cerca de 37% do território cipriota, Chipre "vive com as consequências das violações do direito internacional há mais de 50 anos", adianta a responsável.

Para o chefe da diplomacia de Chipre, Constantinos Kombos, "é necessário ser assertivo no que diz respeito à integridade territorial e à soberania" da Gronelândia, sendo que "isso é transmitido publicamente e em privado" sempre que possível.

Apesar das feridas em aberto, existe em Chipre a esperança de que 2026 possa trazer um novo impulso à reunificação, nomeadamente quando a parte norte da ilha tem uma nova liderança turca.

O Presidente cipriota, Nikos Christodoulides, realça aos jornalistas europeus "os esforços para retomar as negociações substantivas no âmbito das resoluções do Conselho de Segurança".

Certo é que, de momento, a "linha verde" de Nicósia -- com uma dimensão de cerca de sete quilómetros a atravessar a cidade de oeste a leste -- mostra tensões geopolíticas não resolvidas.

Estas marcas profundas são algo que a UE não quer replicar e que a Dinamarca não pretende ter, um contexto de tensões sobre o território autónomo dinamarquês, alvo de pretensões do Presidente Donald Trump.

A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.

A República de Chipre, que aderiu à UE em 2004, assume a presidência do Conselho pela segunda vez, 14 anos após a primeira presidência em 2012.

Sucede à Dinamarca e será seguida depois, no segundo semestre deste ano, pela Irlanda.

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