Acidente que envolveu dois comboios de alta velocidade, em janeiro, causou a morte a 46 pessoas.
Como aconteceu o acidente entre comboios de alta velocidade em Espanha
Medialivre
O presidente do Partido Popular de Espanha (PP, direita) e líder da oposição espanhola, Alberto Núñez Feijóo, disse esta quarta-feira que o Governo do socialista Pedro Sánchez acabará no banco dos réus devido ao acidente ferroviário que matou 46 pessoas.
Feijóo afirmou que o Governo ignorou alertas dos maquinistas e diversas entidades, incluindo europeias, sobre o estado das linhas de comboio e que o acidente de 18 de janeiro, em Adamuz, Córdova, no sul de Espanha, foi "um acidente evitável, não uma catástrofe imprevisível".
"A sua negligência foi contínua e resultou em morte. O seu Governo sentar-se-á no banco dos réus também por isto", disse o líder do PP ao primeiro-ministro, durante um debate no parlamento nacional, em Madrid.
Feijóo pediu a demissão de Sánchez e do ministro dos Transportes, Óscar Puente, acusando-os de terem andado "a jogar à roleta russa" com a segurança dos passageiros dos comboios.
Para o PP, o Governo está a "denunciar-se sozinho" porque após o acidente anunciou mais recursos humanos, "mais investimento, mais vigilância" e "mil limitações de velocidade em toda a rede" ferroviária.
Feijóo referiu ainda as suspeitas de corrupção que envolvem um ex-ministro dos Transportes de Sánchez, José Luis Ábalos, atualmente em prisão preventiva, para sugerir que foram desviados fundos para a manutenção e contratação de técnicos.
Sánchez esteve esta quarta-feira no parlamento nacional para dar explicações sobre o acidente de Adamuz, que envolveu dois comboios de alta velocidade.
O primeiro-ministro reiterou que as causas do acidente serão apuradas e prometeu que o Estado vai "fazer justiça, se for necessário".
Sánchez disse ainda que a rede ferroviária espanhola, uma das maiores da Europa, "não é perfeita", mas é segura, e que todos os trabalhos de renovação, manutenção e inspeção da via onde ocorreu o acidente de Adamuz respeitaram os protocolos nacionais e europeus.
O primeiro relatório, ainda preliminar, da comissão independente que está a investigar o acidente apontou uma rutura de um carril, num ponto de soldadura feito há meses, como possível causa do acidente.
Sánchez sublinhou que a renovação integral, em 2025, da via onde ocorreu acidente, que envolveu dois comboios de alta velocidade, foi feita por "empresas de ponta" e superou todos os testes e inspeções de controlo.
Por outro lado, e para responder a críticas e ao que disse serem mentiras das últimas semanas, revelou dados que indicam que desde 2018, desde que está à frente do Governo socialista espanhol, aumentaram as verbas para renovação e manutenção da ferrovia, depois de anos de cortes durante executivos da direita.
Ainda assim, admitiu que as conclusões da investigação do acidente podem passar pela necessidade de mais verbas para a manutenção das infraestruturas ferroviárias e pela revisão dos "protocolos e 'standards'" de segurança e gestão.
"Assim que soubermos o que falhou exatamente tomaremos as medidas necessárias para que este tipo de tragédia não volte a acontecer", garantiu, pedindo para "a tragédia" de Adamuz não ser usada para desinformação e para "gerar medo".
O sistema ferroviário espanhol "não é perfeito", mas "é um dos melhores do mundo", como afirmam relatórios europeus, incluindo da Comissão Europeia, afirmou Pedro Sánchez.
Espanha tem 15.700 quilómetros de ferrovia, a quinta rede mais extensa da Europa. Na alta velocidade, são 4.500 quilómetros, a maior rede europeia e a segunda maior do mundo, depois da China.
Em 2025, a rede ferroviária espanhola "foi a mais fiável" da União Europeia, a quinta "mais pontual" e com "preços dos mais competitivos", acrescentou Sánchez, que invocou sempre estudos e relatórios europeus.
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