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Correio da Manhã

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Órgãos humanos à venda na net

Vende-se rim. Sexo masculino, tipo de sangue O, saudável. Preço total 90 mil libras, mais dez mil libras para despesas médicas e de deslocação.” O anúncio está num ‘site’ da internet, à vista de todos, e é apenas um entre muitas dezenas de anúncios semelhantes que, segundo o jornal britânico ‘The Sun’, alimentam um cada vez mais florescente comércio clandestino de órgãos para transplantes.
9 de Janeiro de 2007 às 00:00
Órgãos humanos à venda na net
Órgãos humanos à venda na net FOTO: d.r.
Quem compra está desesperado para ultrapassar as longas listas de espera dos hospitais. Quem vende fá-lo pelas mais variadas razões: para pagar dívidas, financiar uma casa ou um negócio, ou simplesmente por ganância.
O anúncio acima levou o repórter do ‘Sun’ até Umer Maqbool, um imigrante paquistanês residente em Manchester. Umer, que tem 24 anos e trabalha como empregado de mesa, diz que precisa do dinheiro para comprar uma casa nova para a família no Paquistão e abrir uma pequena loja, e está disposto a abdicar de partes do corpo para realizar o seu sonho. Para além do anunciado rim, Umer admite ainda vender parte do fígado e a córnea, e está disposto a regatear: aos invés de um rim pelas 100 mil libras (148 mil euros) inicialmente pedidas, está disposto a vender tudo – o rim, parte do fígado e a córnea – pelo mesmo preço. O contrato é firmado na altura, e as condições estipuladas: a operação terá lugar no Paquistão, onde a venda de órgãos é uma prática legal e corrente. O facto de o negócio que acaba de firmar ser ilegal no Reino Unido não parece incomodá-lo. “Eu não conto dizer nada a ninguém”, responde, com um encolher de ombros.
O caso denunciado pelo ‘Sun’ parece ser apenas uma gota num oceano cada vez maior. Uma simples busca na internet permite encontrar dezenas de pessoas dispostas a vender órgãos que consideram dispensáveis. A maior parte dos anúncios provém de países pobres como a Índia, o Paquistão, o Bangladesh ou as Filipinas, mas também há pessoas dos EUA, Reino Unido, Austrália e França.
Um responsável da Associação Britânica de Transplantes, John Forsythe, confirmou a tendência e condenou veementemente esta prática, que considerou “perigosa”. Segundo dados oficiais, só no Reino Unido há mais de sete mil pessoas em lista de espera para um transplante.
COMÉRCIO ARRISCADO
Ignorando os riscos para a própria saúde, centenas de pessoas estão dispostas a vender clandestinamente os seus órgãos para arranjar dinheiro. Um rim pode chegar a valer entre 70 e 140 mil euros no mercado negro deste tráfico ilícito.
CÓRNEA
29 mil euros
FÍGADO
29 mil euros
RINS
74 mil euros
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