Pouco antes o príncipe Alberto II tinha também destacado a existência de um "imperativo de solidariedade por parte de quem tem mais meios".
O Papa Leão XIV denunciou este sábado o aprofundamento dos "abismos entre pobres e ricos", durante o primeiro discurso no Mónaco, um minúsculo principado católico sobretudo conhecido pelo luxo.
Numa intervenção proferida em francês na varanda do Palácio do Príncipe, perante Alberto II e os principais dignitários monagascos, o papa de origem norte-americana criticou "as configurações injustas do poder, as estruturas de pecado que aprofundam abismos entre pobres e ricos, entre privilegiados e rejeitados, entre amigos e inimigos".
"Cada talento, cada oportunidade, cada bem colocado nas nossas mãos tem um destino universal, um dever intrínseco de não ser retido, mas redistribuído, para que a vida de todos seja melhor", acrescentou, neste micro-Estado da Riviera francesa, que se orgulha das suas numerosas instituições e fundações de caridade.
"Viver aqui é para alguns um privilégio e uma chamada específica para refletir sobre o seu próprio lugar no mundo", sublinhou.
"O dom da pequenez [...] compromete a vossa riqueza ao serviço do direito e da justiça, sobretudo num momento histórico em que a demonstração de força e a lógica da omnipotência ferem o mundo e comprometem a paz", acrescentou, numa referência clara aos conflitos que se multiplicam em todo o mundo.
Pouco antes do discurso do papa, o príncipe Alberto II tinha também destacado a existência de um "imperativo de solidariedade por parte de quem tem mais meios".
"Como Vossa Santidade, sabemos igualmente que os pequenos Estados podem contribuir para a melhoria do mundo, desde que sejam fiéis aos seus valores e fortes na sua determinação", reforçou.
O Vaticano e Mónaco são dois dos menores Estados do mundo em termos de superfície.
Leão XIV chegou este sábado de helicóptero ao pequeno principado do Mónaco, onde permanecerá apenas nove horas, naquela que é a sua primeira visita a um país europeu.
À chegada, foi recebido pelo príncipe Alberto II e pela princesa Charlene, vestida de branco. Foram disparadas salvas de honra e os sinos das igrejas do pequeno principado tocaram.
Trata-se da sua segunda viagem apostólica internacional, sendo a primeira de um papa na época moderna, uma vez que apenas há registo de que, em 1538, Paulo III tenha passado por este território no regresso do Congresso de Nice.
Estão agora previstos quatro eventos principais: a visita de cortesia ao príncipe Alberto II e à sua família no Palácio do Príncipe e o discurso às autoridades, um encontro com a comunidade católica na Catedral da Imaculada Conceição, a reunião com jovens na praça em frente à Igreja de Sainte-Dévote e, por fim, a missa de encerramento no Estádio Luís II.
O papa chega a este pequeno Estado, onde o catolicismo é a religião oficial e cujo príncipe se recusou a assinar, em novembro passado, a lei sobre o aborto.
O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, numa entrevista aos meios de comunicação do Vaticano, manifestou a esperança de que "esta viagem dê um novo impulso à missão da Igreja local, consolidando o compromisso comum em frentes urgentes como a proteção da criação, a defesa da vida e a promoção da solidariedade internacional, sem esquecer os mais vulneráveis".
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