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Paramédica de 24 anos ia casar no próximo ano. Morreu nas explosões de Beirute a servir o país

Jovem foi chamada para os incêndios que deflagram no porto. Ainda tentou escapar mas foi em vão.

07 de agosto de 2020 às 10:09

Sahar Fares era uma jovem paramédica de 24 anos que tinha uma vida inteira pela frente. A libanesa estava noiva e ia casar em breve. Mas as explosões em Beirute roubaram-lhe os sonhos.

Na passada quinta-feira, o noivo e a família de Sahar despediram-se da jovem numa cerimónia fúnebre que pretendia simular o casamento que esta tanto ansiava. Enquanto o caixão branco descia as ruas pelas mãos dos colegas bombeiros, um grupo de músicos vestidos de branco com pormenores bordados em ouro tocavam músicas alegres. Os amigos e familiares atiravam arroz e pétalas de flores para cima do noivo que, emocionado, se despediu para sempre da sua amada.

A história trágica de Sahar espalhou-se rapidamente nas redes sociais, tornando-se num símbolo da dor vivida no Líbano por estes dias. Vinda de uma família de poucas posses, a libanesa conseguiu integrar o Corpo de Bombeiros de Beirute, onde normalmente só homens conseguem entrar com facilidade.

Na noite de terça-feira, Sahar tinha sido destacada para o combate a um incêndio que deflagrou no porto de Beirute, e que acabou sucedido pelas violentas explosões. Como ninguém precisava de assistência médica, a jovem ficou sentada no carro dos bombeiros, enquanto trocava mensagens com o noivo a quem inclusivé mandou imagens do fogo.

À medida que as chamas se iam intensificando, a jovem saiu do carro em videoconferência com o companheiro para lhe dar uma visão melhor do que parecia ser fogo de artíficio por entre o fumo espesso. Os barulhos eram estranhos e Sahar nunca tinha visto nada assim.

Atendendo aos pedidos do noivo, a jovem paramédica começou a correr para tentar escapar do local, mas foi tarde demais. A última imagem que Karaan viu da sua noiva foram os sapatos desta a embater na calçada. Momentos depois, ouviu uma explosão.

A libanesa cresceu na pequena vila de al-Qaa, no norte do país, uma zona que faz fronteira com a Síria. Filha de um soldador de alumínio e de uma professora, Sahar sonhava com oportunidades de emprego estáveis, tendo-se formado em enfermagem.

Em 2016, a jovem viu uma prima morrer às mãos do Daesh quando estes invadiram a região onde morava com a família e tiraram a vida a outros quatros residentes. Agora, é a pequena vila que chora a morte de Sahar. Os residentes exigem justiça.

"A nossa história é feita de mártires e martírios. Sahar é uma mensagem aos nossos jovens de que existem pessoas que se comprometem com a nação e perdem tudo. Eu gostaria que houvesse um Estado que valesse tanto sacrifício e compromisso", disse o autarca de al-Qaa, Bachir Mattar.

Nos meses que antecederam a sua morte, a jovem estava a juntar dinheiro para comprar uma casa para o casamento e para investir no seu vestido de noiva. Mas tal como tantos outros libaneses, viu as suas economias evaporarem da noite para o dia com a queda da moeda. A cerimónia estava marcada para o dia 6 de junho de 2021.

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