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Correio da Manhã

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Parlamento britânico chumba acordo do Brexit

Theresa May sofre derrota histórica e esmagadora na Câmara dos Comuns.
Ricardo Ramos 16 de Janeiro de 2019 às 01:30
Governo sofreu a pior derrota parlamentar em quase um século e Theresa May tem o cargo em risco
Corbyn quer afastar May e iniciar novas negociações com Bruxelas
Governo sofreu a pior derrota parlamentar em quase um século e Theresa May tem o cargo em risco
Corbyn quer afastar May e iniciar novas negociações com Bruxelas
Governo sofreu a pior derrota parlamentar em quase um século e Theresa May tem o cargo em risco
Corbyn quer afastar May e iniciar novas negociações com Bruxelas
O Parlamento britânico infligiu esta terça-feira uma histórica e humilhante derrota à primeira-ministra Theresa May ao rejeitar de forma esmagadora o seu Acordo do Brexit, deixando presa por um fio a sua continuidade à frente do executivo e acercando ainda mais o Reino Unido do abismo de uma saída sem acordo da União Europeia a 29 de março.

Se a derrota já era esperada, os números não deixaram de surpreender: 432 deputados chumbaram o acordo, contra apenas 202 que votaram a favor, muito aquém dos 318 que May precisava para clamar vitória. Tratou-se, a todos os títulos, de uma derrota esmagadora para a primeira-ministra e o seu governo, que tiveram o apoio de menos de um terço dos deputados, naquela que foi a derrota mais pesada de um governo no Parlamento em quase um século. Entre os mais de 400 deputados que votaram contra o acordo, 118 são do Partido Conservador, da própria Theresa May.

"A Câmara falou e o governo ouviu. Ficou claro que o Parlamento não apoia este acordo, mas a votação desta noite não nos diz nada sobre aquilo que os deputados apoiam", disse May, desafiando a oposição a avançar com uma moção de censura para avaliar se o governo continua a ter o apoio do Parlamento.

E foi isso mesmo que fez o líder da oposição trabalhista instantes depois. Num discurso duro, Jeremy Corbyn acusou o governo de "incompetência" e anunciou uma moção de censura que será votada já hoje. Se a moção for aprovada, o governo cai e o Reino Unido terá de realizar novas eleições, provocando o adiamento inevitável do Brexit. Se May conseguir manter-se no poder promete ouvir os partidos e voltar ao Parlamento com novas propostas até segunda-feira, antes de regressar a Bruxelas para exigir mais concessões.

Jeremy Corbyn exige eleições para afastar governo "incompetente"
O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que durante meses evitou tomar uma posição firme sobre o caminho a seguir se o acordo fosse rejeitado, não perdeu tempo a anunciar uma moção de censura contra May, afirmando que está na altura de os deputados "darem a sua opinião sobre a incompetência do governo".

Se a moção for rejeitada, "todas as opções estão sobre a mesa, incluindo um segundo referendo", diz o partido.

"Aumenta risco de saída desordenada", diz Bruxelas
O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, alertou que a rejeição do acordo "aumentou o risco de uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia".

"Não desejamos que isso aconteça, mas estaremos preparados", garantiu Tusk, reiterando a "união e responsabilidade" dos 27 na defesa daquele que continuam a considerar como "o melhor acordo possível". Já o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, avisou que "o tempo está a esgotar-se".

PORMENORES
Rebeldes garantem apoio
Os rebeldes conservadores e os unionistas irlandeses que votaram contra o acordo anunciaram que tencionam apoiar May na moção de censura de hoje. "A liderança de May nunca esteve em causa. O que não queríamos era este acordo", dizem.

Adiar o Brexit
Face à incerteza gerada pela votação, a UE já faz planos para um adiamento do Brexit, marcado para 29 de março.

Empresas lusas apoiadas
O Governo anunciou um programa de 50 milhões de euros para apoiar as empresas portuguesas que exportam para o Reino Unido, para suavizar o impacto de um Brexit sem acordo.
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