Quatro dos implicados no caso respondem ao processo em liberdade, mediante pagamento de caução para dois.
Pelo menos 10 funcionários públicos foram detidos por desvio de donativos para vítimas de cheias na província de Gaza, sul de Moçambique, anunciaram hoje as autoridades locais.
De acordo com um comunicado da procuradoria provincial de Gaza, quatro dos implicados no caso respondem ao processo em liberdade, mediante pagamento de caução para dois e termo de identidade e residência para os outros dois.
"A Procuradoria Provincial da República -- Gaza comunica que, nos últimos dias, tomou conhecimento, através de denúncias anónimas, de situações de desvio de diversos produtos destinados às vítimas das cheias que assolaram a província de Gaza", refere, no comunicado, acrescentando que "no decurso desses processos, foram detidos, no total, 10 arguidos".
Segundo a procuradoria provincial, após as denúncias, foram executados mandados de busca em várias residências na cidade de Xai-Xai e no distrito de Chibuto, onde foram apreendidos diversos produtos.
“As investigações indicam que tais atos terão sido praticados por servidores públicos que exercem cargos de direção e chefia”, lê-se no comunicado.
Entre os detidos está uma administradora do distrito de Xai-Xai, o diretor do gabinete da governadora de Gaza e o fiel de armazém, encontrados a fazer o carregamento dos produtos fora da hora estabelecida.
“Na sequência das investigações levadas a cabo com vista ao esclarecimento dos factos, no dia 22 de fevereiro de 2026, por volta das 20:00, foi desencadeado um trabalho operativo junto dos armazéns do INGD [Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres], onde foram surpreendidos dois funcionários públicos a efetuarem o carregamento dos referidos produtos”, disse o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) em Gaza, Zaqueu Mucambe, durante uma conferência de imprensa, na terça-feira.
Entre os produtos apreendidos na primeira detenção, destacam-se 41 fardos de roupa usada, 63 sacos de farinha de milho, 20 sacos de arroz de 25 quilogramas, três caixas de dois litros de óleo vegetal, dois sacos de 50 quilogramas de feijão manteiga, nove embalagens de açúcar e um número não especificado de colchões.
Segundo o INGD, as cheias de janeiro mataram 27 pessoas e afetaram outras 724.131, sendo a província de Gaza a mais devastada.
O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 242, com registo de praticamente 869 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização feita pelo instituto de gestão de desastres.
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