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Polícia do Rio em alerta total

As forças de segurança do Rio de Janeiro estão hoje em alerta total e com o máximo possível de efectivos nas ruas para tentarem impedir que facções criminosas desfiram durante o réveillon ataques sangrentos como os ocorridos desde quinta-feira – que já mataram 24 pessoas e feriram mais de 30. Indícios recolhidos pelos serviços de inteligência das Polícias, denúncias anónimas e uma onda de boatos fazem temer a ocorrência de novas acções esta noite e madrugada.

31 de dezembro de 2006 às 00:00

Todos os polícias que estavam de folga e de férias foram forçados a apresentar-se ao serviço e a cidade está praticamente sitiada, com bloqueios e revistas policiais nas principais vias. O número de favelas cercadas pelas forças de segurança passou de dez para 23 e tropas especiais, apoiadas por blindados, têm invadido algumas e apreendido armas e material explosivo que poderiam ser usados em ataques criminosos. Na favela do Muquiço um confronto com a Polícia matou cinco criminosos.

O elevado número de carros roubados nas últimas horas no Rio é um dos dados que mais preocupa a Polícia. De acordo com uma fonte policial que falou ao CM, só no centro da cidade foram roubados 16 veículos em poucas horas e, adianta essa fonte, os criminosos costumam roubar carros em série quando pretendem desencadear ondas de violência em vários pontos da cidade. Uma informação que se podia ouvir ontem nos rádios da Polícia carioca dava conta de que o Comando Vermelho, facção à qual são atribuídos os ataques desta semana no Rio, teria pelo menos 200 homens preparados para acções violentas que poderiam ser desencadeadas a qualquer momento.

Na madrugada de ontem novos ataques assustaram a população e os turistas. No Caju, zona portuária, um carro foi incendiado, o mesmo tendo acontecido a um autocarro de passageiros em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. No Morro da Providência um polícia foi cercado e baleado no peito e nas pernas, enquanto um morador de rua também ficou bastante ferido ao ser atingido por estilhaços de granada e balas disparadas pelos bandidos que atacaram a esquadra de Bangu. Em Seropédica, bandidos invadiram a esquadra local e roubaram todas as armas mas não feriram ninguém.

ISOLAMENTO PARA LÍDERES

O governo do Rio de Janeiro decretou o isolamento de seis supostos líderes de facções criminosas que, de dentro das prisões, deram a ordem para os sangrentos ataques. Eles já foram retirados das celas e enviados para outras individuais na penitenciária de Bangu 1, onde ficarão por 30 dias em regime disciplinar diferenciado, o mais rigoroso do Brasil, sem contacto com visitas ou com outros presos.

Os seis presos agora punidos pertencem a três facções diferentes e arqui-inimigas mas que juntaram forças numa aliança inédita para desencadear os ataques contra alvos civis e forças de segurança. Quatro são do Comando Vermelho (CV) – Márcio Nepomuceno, Marcinho VP, Elias Pereira da Silva, Elias Maluco (que matou há três anos o repórter da Globo Tim Lopes). Um outro é da facção Amigos Dos Amigos (ADA), conhecido como Sassá, e o último, conhecido como Robinho Pinga, pertence ao Terceiro Comando.

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