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Portugal reforça força na Eslováquia e Exército aponta nova realidade de segurança na Europa

Força de 156 militares passa a integrar mais um pelotão de atiradores, um módulo de Polícia do Exército e, a partir de outubro, módulos de Inativação de Engenhos Explosivos e de Observadores Avançados.

27 de julho de 2026 às 14:35

O Exército reforçou para 156 militares a força que parte para a Eslováquia no âmbito da NATO, com o chefe do Estado-Maior a justificar esta segunda-feira este aumento pelo contexto de segurança, afirmando que "o combate convencional regressou à Europa".

"Num período de dois anos passámos de 30 para cerca de 160 militares, o que demonstra, por um lado, o compromisso de Portugal com a NATO e, por outro, que o aumento dos efetivos nos permite aumentar os nossos objetivos de força", afirmou o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão, em declarações à Lusa.

O responsável falava após a cerimónia de outorga do Estandarte Nacional à 5.ª Força Nacional Destacada (5FND), realizada no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, distrito de Santarém, antes da projeção da força portuguesa para a Eslováquia, onde ficará integrada no Battlegroup Multinacional liderado por Espanha, no âmbito das atividades reforçadas de vigilância da NATO.

Composta por 156 militares, a força representa um reforço face às rotações anteriores, passando a integrar mais um pelotão de atiradores, um módulo de Polícia do Exército e, a partir de outubro, módulos de Inativação de Engenhos Explosivos (EOD) e de Observadores Avançados.

Segundo o CEME, esta 5.ª Força Nacional Destacada "reflete uma evolução neste novo paradigma", traduzida no reforço do contingente e na integração de novas capacidades de apoio ao combate para responder a um cenário de guerra convencional de alta intensidade.

O contingente opera com cinco carros de combate Leopard 2A6, 15 viaturas blindadas Pandur II 8x8 e quatro viaturas blindadas táticas VAMTAC ST5, mantendo ainda em teatro capacidades de informação geoespacial e sistemas aéreos não tripulados, incluindo a experimentação operacional de equipamentos desenvolvidos pela indústria portuguesa.

Segundo Eduardo Mendes Ferrão, as missões internacionais constituem igualmente uma oportunidade para acelerar a modernização do Exército, permitindo validar novas tecnologias, táticas e procedimentos, depois incorporados na preparação, doutrina e reequipamento da força terrestre.

"Onde temos a verdadeira evolução técnica, tática e tecnológica é quando empregamos [as forças]", afirmou, defendendo que as lições recolhidas em operações contribuem para a transformação do Exército.

No discurso, o general defendeu ainda que o treino das forças deve assumir-se como um processo de adaptação permanente, permitindo incorporar rapidamente as lições retiradas dos atuais teatros de operações.

"O combate convencional regressou à Europa. O combate de alta intensidade e de grande envergadura já não é um conceito distante. É uma realidade que observamos diariamente", afirmou, sustentando que o novo contexto de segurança exige maior prontidão e preparação das forças.

O CEME sublinhou ainda que, desde 2014, o Exército tem vindo a reforçar progressivamente a participação portuguesa em missões internacionais de dissuasão e defesa coletiva, considerando que esse percurso demonstra que Portugal é "um aliado participativo, ativo e confiável", preparado para cumprir "as mais exigentes missões".

Nesse âmbito, defendeu que a participação portuguesa no flanco leste da Europa constitui também um contributo direto para a segurança nacional.

"Ao contribuirmos para a segurança do flanco leste da NATO, estamos também a contribuir para a segurança de Portugal", afirmou.

Além da presença reforçada na Eslováquia, o Exército mantém forças destacadas na Roménia, também no âmbito da NATO, e na República Centro-Africana, integrada numa missão das Nações Unidas, indicou o CEME à Lusa.

A força portuguesa integra o Battlegroup Multinacional na Eslováquia desde 2022, um dos agrupamentos criados pela NATO para reforçar a presença avançada, a dissuasão e a defesa coletiva no flanco leste da Aliança após a invasão russa da Ucrânia.

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