Bispo de Quelimane foi morto com tiro no coração no centro de Moçambique.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, garantiu hoje uma investigação "rigorosa e célere" para identificar e responsabilizar os envolvidos no homicídio do bispo católico de Quelimane, Osório Citora, morto a tiro no sábado.
Falando durante as cerimónias fúnebres do bispo da Diocese de Quelimane, província da Zambézia, e administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, Daniel Chapo afirmou que o Governo está empenhado em esclarecer o crime e levar à justiça todos os envolvidos no homicídio, que provocou forte consternação na Igreja Católica e na sociedade moçambicana, que conta já com três suspeitos detidos.
"Reiteramos às autoridades eclesiásticas, à comunidade cristã e aos moçambicanos em geral a determinação do Governo da República de Moçambique, através do Serviço Nacional de Investigação Criminal e de todas as autoridades da administração da justiça, na investigação rigorosa e célere para a identificação e responsabilização exemplar dos mandantes, autores materiais e morais deste hediondo crime", disse o chefe de Estado, em Quelimane, centro do país.
O Presidente acrescentou que as autoridades acionaram mecanismos de investigação logo após o homicídio, envolvendo equipas especializadas para reforçar as diligências conduzidas em Quelimane, capital da província da Zambézia.
"Queremos agradecer aos colegas do Serviço Nacional de Investigação Criminal de Quelimane, que tomaram medidas necessárias para o início da investigação. Igualmente, juntámos colegas de Sofala e enviámos para esta cidade peritos de investigação criminal de alto nível", afirmou Daniel Chapo.
Na quinta-feira, a polícia confirmou a detenção de três potenciais suspeitos do homicídio do bispo, de 54 anos. Em conferência de imprensa, o representante provincial do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) na Zambézia, Domingos Barrone, disse que os detidos se encontram em prisão preventiva por ordem judicial enquanto prosseguem as investigações.
Segundo o Sernic, homens armados terão escalado o muro da residência episcopal na madrugada de sábado, neutralizado o sistema de segurança e disparado contra o prelado, que morreu no local.
Na cerimónia de hoje, o núncio apostólico em Moçambique, Luís Cárdaba, recordou Osório Citora como uma das figuras mais respeitadas da Igreja Católica moçambicana, destacando a sua dedicação pastoral, proximidade às comunidades e compromisso com a promoção da paz.
"Assassinaram um homem de paz. Assassinaram um homem de reconciliação, um missionário que acreditava na bondade das pessoas, um pastor dedicado que se entregou por completo ao serviço até ao fim", afirmou o representante diplomático da Santa Sé.
Dom Luís Cárdaba acrescentou que o bispo continuou a desempenhar funções pastorais até às últimas horas de vida, tendo realizado uma visita pastoral no próprio dia em que morreu e acompanhado assuntos relacionados com as dioceses sob sua responsabilidade.
"A morte violenta de Dom Osório, como tantas outras mortes violentas no nosso mundo de hoje, é uma falha da humanidade", declarou, apelando à defesa da vida humana e à construção de uma cultura de diálogo, tolerância e reconciliação.
A morte de Osório Citora gerou reações de condenação dentro e fora de Moçambique. A Conferência Episcopal de Moçambique classificou o caso como um "crime gravíssimo", enquanto a União Europeia, o Papa Leão XIV, o Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar, a Ordem dos Advogados de Moçambique e diversas figuras políticas nacionais defenderam uma investigação transparente e o rápido esclarecimento das circunstâncias do homicídio.
Membro do Instituto dos Missionários da Consolata, Osório Citora Afonso foi nomeado bispo da Diocese de Quelimane em julho de 2025 e, em abril deste ano, assumiu também as funções de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, por nomeação do Papa Leão XIV, tornando-se uma das principais figuras da Igreja Católica moçambicana.
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