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Protesto contra construção de fábrica de incineração reúne 10 mil na China

Autoridades chinesas têm tido dificuldades em processar o lixo gerado, em resultado da rápida urbanização do país e aumento dos índices de consumo.
Lusa 5 de Julho de 2019 às 09:58
Bandeira da China
Bandeira da China FOTO: Getty Images
Milhares de pessoas manifestaram-se esta quinta-feira numa cidade do centro da China contra a construção de uma fábrica de incineração de lixo, no último de vários protestos, que resultaram já em vinte detidos, segundo a Radio Free Asia.

A dimensão dos protestos em Wuhan, a capital da província de Hubei, aumentou ao longo desta semana e atingiu hoje o ponto máximo, com 10.000 manifestantes a reunirem-se em torno dos escritórios do governo local.

Os protestos foram recebidos por um grande contingente de policias regulares e de choque, segundo fotos que circulam nas redes sociais chinesas, enquanto a resposta violenta da polícia foi criticada por internautas.

Wuhan, como muitas outras cidades na China, enfrenta um crescente problema de gestão de resíduos, à medida que a urbanização gera densos centros populacionais com pouco espaço.

A construção da fábrica em Yangluo, o distrito de Wuhan onde ocorreram os protestos, vai ser feita num local onde anteriormente estava prevista a construção de um parque público.

A maioria das detenções envolvem internautas que partilharam informação sobre os protestos através do WeChat, o equivalente chinês ao WhatsApp.

Um residente local, citado pela emissora RFA, explica que os protestos ocorreram "espontaneamente", face à indiferença das autoridades locais, que repetidamente ignoraram queixas dos moradores sobre a construção da usina, que acreditam que será prejudicial para a saúde.

"A qualidade do ar já é muito má em Yangluo e as águas subterrâneas estão contaminadas há mais de uma década, e agora ainda anunciam a construção de uma fábrica de incineração de lixo que é uma ameaça às nossas vidas", lamentou o morador.

Décadas de acelerado crescimento económico causaram sérios problemas ambientais na China, com as principais cidades do país a serem frequentemente cobertas por um manto de poluição e parte dos solos contaminados.

As autoridades chinesas têm tido dificuldades em processar o lixo gerado, em resultado da rápida urbanização do país e aumento dos índices de consumo.

Em dezembro de 2016, um deslizamento de terras num parque industrial em Shenzhen, o centro da indústria tecnológica da China, situado na província de Guangdong, resultou na morte de 70 pessoas e enterrou 33 edifícios.

O acidente deveu-se à excessiva acumulação ilegal de resíduos de construção em montes com 100 metros de altura.

O Governo de Shenzhen admitiu, na altura, as dificuldades em processar os 30 milhões de metros cúbicos de entulho que a cidade gera anualmente.
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