Um terço dos desaparecidos são estrangeiros, segundo revelou o senador da Flórida, nos EUA. Entre as vítimas estarão, pelo menos, 22 sul-americanos.
Um terço dos desaparecidos são estrangeiros, segundo revelou o senador da Flórida, nos EUA. Entre as vítimas estarão, pelo menos, 22 sul-americanos.
O desespero chega de várias partes do Mundo. O desabamento de um prédio de luxo em Miami, nos Estados Unidos, deixou dezenas de pessoas desaparecidas. Uma estimativa das autoridades e governo local aponta para 117 pessoas entre os escombros das Champlain Towers South, em Surfside. O número de mortos confirmados subiu para 28.
Pelo menos 22 sul-americanos estão entre os desaparecidos: nove da Argentina, seis do Paraguai, quatro da Venezuela e três do Uruguai, revelaram os governos destes países.
Entre as pessoas a ser procuradas estão, entre outras, familiares da primeira-dama do Paraguai, Silvana Abdo. Quase um terço dos desaparecidos são estrangeiros. Mas há também norte-americanos entre as vítimas, Cassie Stratton, modelo e atriz, estará entre os escombros no condomínio.
Adeus a um "sobrevivente campeão"
Uma professora descreveu Luis Andrés Bermúdez como um "sobrevivente campeão". Tinha distrofia muscular e vivia preso a uma cadeira de rodas, mas isso não o impediu de liderar uma empresa de roupa a 'Saucy Boyz Clothing'.
Apesar da condição de saúde que sempre o afetou, Luis Bermúdez conseguiu encontrar maneira de fazer a sua arte. A distrofia muscular impedia-o de fazer movimentos precisos com as mãos e dedos.
"Chamá-lo de inesquecível é um eufemismo", referiu ao Miami Herald José J. Ortiz Carlo, um professor do colégio de Bermúdez.
A tragédia ceifou a vida do jovem de 26 anos, oriundo de Porto Rico. Residia no 7.º andar das Champlain Towers South.
Tragédia destrói casamento de seis décadas
Gladys e Anthony Lozano, os dois oriundos de Cuba, estavam casados há 59 anos. Foram encontrados nos escombros do prédio em Surfside.
"Eram pessoas tão bonitas. Que possam descansar em paz", disse emocionado Phil Ferro, meteorologista chefe do WSVN7 - estação de televisão afiliada à Fox.
Os dois estariam a dormir no momento do trágico incidente, revelou o filho das vítimas.
Paixão pelos filhos e beisebol
Manuel LaFont e o filho estavam muitas vezes a jogar beisebol com o filho no North Shore Park. "Ficavam lá até as luzes se apagarem", lembra Danny Berry, diretor da Liga de Beisebol juvenil de Miami Beach.
Manuel LaFont, de 54 anos, tinha dois filhos. Um menino, Santi, de 10 anos, e uma menina, de 13 anos. Ambos estavam com a ex-mulher, Adriana LaFont.
O homem nasceu em Houston e era ex-aluno da Sharpstown High School. LaFont frequentava regularmente a igreja católica de St.Patrick em Miami Beach, onde os filhos estudavam.
Nos EUA para ajudar a família
Leidy Luna Villalba, uma jovem de apenas 23 anos, tinha abandonado pela primeira vez a pequena cidade onde residia, no Paraguai, com o objetivo de ajudar a família. Será uma das vítimas do trágico incidente de Surfside.
Com o pai a trabalhar numa fazenda e a receber um salário baixo, Leidy decidiu começar a trabalhar para pagar o curso de enfermagem na faculdade. A jovem de 23 anos era, desde há um ano, ama da família da primeira-dama do Paraguai.
A viagem para Miami surgiu no seguimento desse trabalho como babysitter. O trabalho de Leidy era visto como uma oportunidade e um sinal de esperança para a família Villalba. Mas, o que parecia uma fonte de sustento para a família, tornou-se num autêntico pesadelo.
A última vez que Leidy esteve com a mãe foi antes da partida para Miami, quando a jovem lhe pediu permissão para viajar para os EUA. Na quarta-feira, a jovem de 23 anos enviou uma mensagem para um primo a dizer que estava animada por ir explorar a cidade e por poder ir à praia. Leidy acabaria por chegar ao condomínio poucas horas antes do colapso.
A família desespera. "Estou a pedir notícias da minha filha. Não sei nada sobre ela e estou a desesperar", disse a mãe da jovem. "Ela foi por nós. Tenho o coração partido", concluiu.
Modelo entre os desaparecidos
A modelo Cassie Stratton é outra das vítimas da derrocada do prédio de luxo em Miami. A mulher de 40 anos estava sozinha em casa no momento da tragédia.
Mike Stratton, marido de Cassie, revelou à imprensa de Miami que estava ao telefone com a mulher quando tudo aconteceu. "A linha ficou em silêncio", disse Mike.
A mulher, de 40 anos, trabalhava como modelo mas era também atriz e instrutora de pilates, dividia o seu tempo entre Miami e Nova Iorque. O marido, Mike, estava em Washington, DC, numa viagem de negócios.
O casal tinha-se conhecido há sete anos numa festa do Super Bowl em Nova Iorque. O casamento deu-se dois anos depois.
Havia até quem tivesse viajado para Miami a partir da Colômbia para conseguir ser vacinado contra a Covid-19.
Estas são algumas das pessoas desaparecidas e as suas histórias
Luis Fernando Barth e Valeria Barth: Luis Fernando Barth, de 51 anos,a esposa Catalina Gómez, 44 anos, e a filha de 14 anos Valeria Barth, da Colômbia, estavam em Miami para serem vacinados contra a Covid-19. Tinham recebido a segunda dose e estavam prontos para voltar para casa.
Dick Augustine e Elaine Sabino: Dick Augustine, de 77, é de Chicago e morava no 10º andar do prédio. Estava a dar casa a uma amiga da família, Elaine Sabino, que também está desaparecida.
Graciela Cattarossi: Graciela, era fotógrafa, "uma mãe solteira maravilhosa, com muitos, muitos amigos que se preocupam com ela", disse a amiga Monika Kramlik. A família estava na unidade 501.
Andres Galfrascoli, Fabian Nunez e Sofia Nunez: Andres Galfrascoli, Fabian Nunez e a filha recém-adotada Sofia Nunez estavam hospedados no condomínio de um amigo, na unidade 803. Galfrascoli é cirurgião plástico.
Frankie Kleiman, Ana Kleiman e Luis Bermudez: Frank e Annie Kleiman casaram-se há algumas semanas e Frank estava a ser um "ótimo" padrasto para o filho de Annie, Luis Bermudez, disse um amigo.
Linda March: Advogada oriunda de Nova Iorque, estava hospedada naquela unidade, disse um amigo à CBS4.
Arnie Notkin: Professor de educação física aposentado da Escola primária Leroy D. Fienberg em Miami Beach durante as décadas de 1960 e 1970.
No total, são mais de 150 pessoas desaparecidas. As histórias e identidades de algumas destas vítimas ainda não foram reveladas. As autoridades lutam contra o tempo para tentar encontrar sobreviventes.
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