Economias africanas são especialmente vulneráveis a crises globais, como a guerra no Médio Oriente, devido à sua dependência dos mercados estrangeiros.
O Governo do Quénia saudou esta segunda-feira o "alívio significativo" que o acordo de paz no Médio Oriente traz para os países africanos, que ainda assim enfrentam uma situação que é motivo de preocupação para o FMI.
"Este acordo representa um alívio significativo para o Quénia e muitas outras nações africanas, que têm suportado um fardo económico considerável devido ao conflito", indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros queniano, Musalia Mudavadi, num comunicado.
O anúncio, acrescentou o governante, também oferece "esperança" para o abrandamento do conflito e a reabertura de "rotas marítimas vitais", como o Estreito de Ormuz, por onde transitava 20% do petróleo mundial antes do conflito, e cujo fecho teve um forte impacto nas economias africanas.
"As perturbações nos mercados energéticos globais e nas cadeias de abastecimento, o aumento dos preços dos combustíveis e das matérias-primas, e as pressões inflacionistas, exacerbaram as vulnerabilidades económicas, ameaçaram os meios de subsistência e correram o risco de alimentar o descontentamento social em todo o continente", lamentou Mudavadi no comunicado que surge no contexto de uma série de reações ao acordo anunciado domingo à noite.
As economias africanas são especialmente vulneráveis a crises globais, como a guerra no Médio Oriente, devido à sua dependência dos mercados estrangeiros, à volatilidade das suas moedas, à falta de infraestruturas e ao elevado endividamento, para além da grande dependência de energia externa.
O continente importa grande parte dos seus produtos petrolíferos refinados dos países do Golfo Pérsico, bem como outros bens, como fertilizantes, essenciais para potenciar a agricultura, o principal sustento de muitos africanos.
Para ajudar os países da região a lidarem com os efeitos da crise, que não desaparecem pelo simples anúncio de um acordo de paz, a diretora executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, anunciou esta segunda-feira um aumento da ajuda financeira aos países africanos.
"Vários países africanos enfrentaram escassez de combustível, nomeadamente a Etiópia, o Malaui e a Zâmbia, e a maioria está a sofrer muito com o forte aumento dos preços dos combustíveis", disse Georgieva, especificando que, "em países como o Lesoto, o Ruanda e a Tanzânia, os preços da gasolina aumentaram cerca de 50% desde o início da guerra".
Entre os países que terão um aumento do volume de empréstimos do FMI estão a Gâmbia, a Etiópia e o Burkina Faso, estando também a ser considerado um novo programa de ajuda financeira para o Malaui.
Os EUA e o Irão anunciaram domingo um acordo para pôr fim à guerra e reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, após mais de cem dias de um conflito que gerou graves perturbações no mercado global do petróleo.
O Paquistão, que atua como mediador entre Washington e Teerão, anunciou que ambas as partes assinarão na próxima sexta-feira, na Suíça, um memorando de entendimento para pôr fim a todas as hostilidades.
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