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Reserva Federal dos EUA deverá manter juros inalterados na primeira reunião do ano

Analistas acreditam que a 'Fed' vai adotar uma postura cautelosa, por motivos económicos e para não entrar em confronto com a administração Trump.

26 de janeiro de 2026 às 13:36

A Reserva Federal (Fed) dos EUA reúne-se esta semana e não são esperadas mudanças nos juros, sendo provável que a taxa se mantenha entre 3,50% e 3,75%.

Na última reunião, em dezembro, a Fed reduziu as taxas em 25 pontos base para o intervalo dos 3,50% a 3,75% e o presidente da Fed, Jerome Powell, disse que a instituição estava bem posicionada para esperar e ver como a economia evolui, enfatizando uma abordagem dependente de dados, como recorda uma análise da Xtb.

"Desde dezembro, os dados têm sido melhores do que o esperado, com o crescimento do PIB impulsionado pela reabertura [após a paralisação do Governo norte-americano], gastos resilientes dos consumidores e investimentos empresariais", nota a Xtb, enquanto o "mercado de trabalho mostrou resiliência, com os salários não agrícolas a excederem as previsões e a taxa de desemprego a cair para 4,4%".

Já a inflação subjacente moderou-se ainda mais para 2,6%, o que dá "à Fed espaço para manter uma postura cautelosa enquanto monitoriza os riscos relacionados com as tarifas", pelo que se espera que na próxima reunião mantenha as taxas inalteradas, "com os preços de mercado a indicarem 95% de probabilidade de não haver alterações".

"O foco estará na conferência de imprensa de Powell para obter pistas sobre os riscos laborais e de inflação e possíveis pausas devido às incertezas tarifárias", conclui.

Uma análise da unidade de research da BA&N também aponta que é "garantido que as taxas de juro ficam estáveis, com o foco nas declarações de Jerome Powell na conferência de imprensa, que será marcada pela ameaça de processo judicial contra o presidente do banco central".

Para o diretor de Investimento Global de Mercados Públicos da Allianz GI, Michael Krautzberger, a expectativa é de que a Fed adote uma postura cautelosa, "por razões económicas e institucionais", segundo uma nota de análise.

"Sem uma atualização do Sumário das Projeções Económicas (SEP) ou do 'dot plot', a atenção vai centrar-se na extensão da resistência do Presidente Powell aos recentes desafios do executivo à autonomia da Fed", considera o analista.

Krautzberger antecipa ainda que Powell irá "provavelmente abster-se de sinalizar novos cortes de juros no curto prazo, embora deixe em aberto a opção de um alívio monetário adicional, caso o cenário macroeconómico otimista da Fed se concretize".

O diretor de Investimentos da ATL Capital, Ignacio Cantos-Figuerola, salienta igualmente que o foco nesta reunião da Fed será em qualquer progresso que possam indicar na política monetária, especificamente se farão um, dois ou três cortes nas taxas de juros durante o ano.

Já Thomas Hempell, responsável de macroeconomia e investigação de mercados da Generali AM, destaca, numa análise, que tendo em vista a reunião da Fed que começa na terça-feira e termina na quarta-feira, "o dólar norte americano mantém a sua tendência de queda", numa altura marcada por "pressões políticas e uma menor vantagem de rendimentos".

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