Cadáveres foram encontrados na parte mais funda de uma gruta, a mais de 50 metros de profundidade.
Os últimos dois corpos dos cinco mergulhadores italianos que morreram na última quinta-feira nas Maldivas já foram recuperados, informa esta quarta-feira a imprensa italiana. A equipa de mergulhadores finlandeses da DAN Europe (Divers Alert Network Europe), especializada em operações de resgate e recuperações subaquáticas, entrou na água de manhã bem cedo e trouxe à superfície os cadáveres de Giorgia Sommacal, de 23 anos (filha da professora Monica Montefalcone, que está também entre as vítimas), e Muriel Oddenino, bióloga marinha, de 31.
Os investigadores vão agora escrutinar todo o equipamento dos cinco mergulhadores, incluindo as câmaras GoPro, pois as imagens poderão ser cruciais para se perceber o que correu mal neste mergulho no Atol de Vaavu. Será possível perceber as condições visibilidade que encontraram na gruta, se todos tinham lanternas, a intensidade das correntes ou obstáculos que possam ter encontrado.
Os corpos foram encontrados na parte mais funda de uma gruta, a mais de 50 metros de profundidade, e aparentemente o equipamento que levaram não seria o mais adequado para uma exploração nestas condições.
A imprensa das Maldivas conta que a professora Monica Montefalcone foi encontrada com um fato de mergulho curto o que, apesar de as águas do Índico naquela zona serem quentes, é considerado inapropriado para uma profundidade de 50 metros. Além disso, utilizavam garrafas com ar comprimido de 12 litros, quando para mergulhos a abaixo dos 30 metros o recomendado é uma mistura trimix (oxigégio, nitrogénio e hélio), que terá sido, aliás, usada pelos especialistas finlandeses na recuperação dos corpos.
Recorde-se que os cinco italianos, ligados à Universidade de Génova, chegaram ao Atol de de Vaavu na última quinta-feira a bordo de um iate onde estavam mais 20 turistas italianos. Mergulharam supostamente com a intenção de explorarem grutas subaquáticas, mas nunca chegaram a regressar à superfície.
As autoridades das Maldivas deram início a buscas e um mergulhador local acabou por morrer no sábado. As operações foram suspensas e foram depois entregues à experiente equipa da DAN Europe, que em 2018 resgatou 12 crianças numa gruta na Tailândia, um caso que foi na altura amplamente mediatizado.
As autoridades locais já fizeram saber que apenas três dos italianos tinham licença para mergulhar nas Maldivas. Mohamed Hussain Shareef, porta-voz do presidente do país, contou ao jornal Corriere della Sera que "apenas três dos cinco mergulhadores são mencionados no pedido da licença como membros da equipa de investigação, no caso Federico Gualtieri (biólogo), Muriel Oddenino (investigadora) e Monica Montefalcone (professora). Tinham autorização, válida entre 3 e 17 de maio, para pesquisarem em seis atóis diferentes, incluindo Vaavu", onde acabaram por morrer.
O corpo de Gianluca Benedetti, o instrutor de mergulho de 44 anos encontrado à entrada da gruta na quinta-feira, chegou a Milão segunda-feira à noite num voo da Turkish Airlines via Istambul. Os restantes desaparecidos - Monica Montefalcone, investigadora e professora na Universidade de Génova, de 52 anos, a sua filha Giogia Sommacal, de 23, e os biólogos marinhos Muriel Oddenino e Federico Gualtieri, ambos de 31 - acabaram por ser restados ontem e hoje de manhã.
Os corpos vão ser repatriados para Itália, onde serão autopsiados. O Corriere della Sera avança que a procuradoria de Roma está a investigar o caso por homicídio culposo.
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