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Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.
OMS diz que surto de Ébola no Congo está “a espalhar-se rapidamente”
AP
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou esta sexta-feira que o risco da epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) passou de "elevado" para "muito elevado", o nível máximo de alerta, enquanto os riscos a nível regional permanecem inalterados.
"A epidemia de Ébola na RDCongo está a propagar-se rapidamente", declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa.
"Anteriormente, a OMS tinha avaliado o risco como sendo elevado a nível nacional e regional, e baixo a nível mundial. Estamos atualmente a rever a nossa avaliação de riscos para classificá-lo como muito elevado a nível nacional, elevado a nível regional e baixo a nível mundial", acrescentou.
A epidemia propagou-se na província do Kivu do Norte e na vizinha Kivu do Sul, divididas em duas pelas linhas de frente entre as forças congolesas e o grupo armado Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiado pelo Ruanda, que se apoderou de vastas faixas de território desde o seu ressurgimento em 2021.
Uma parte do Kivu do Norte, incluindo a capital Bukavu, caiu nas mãos do M23 em fevereiro de 2025.
A resposta sanitária tem dificuldade em organizar-se e deu origem a cenas de caos na província de Ituri, o foco da epidemia, para onde a OMS continua a enviar pessoal.
Com poucas ligações rodoviárias e assolada pela violência de grupos armados, Ituri é uma das províncias mais conturbadas da RDCongo, onde cerca de um milhão de deslocados se amontoam em campos.
Até ao momento, "foram confirmados 82 casos, incluindo sete mortes" na RDCongo, indicou Tedros Ghebreyesus, sublinhando que a "epidemia" é, na realidade, "muito mais grave".
O diretor-geral da OMS referiu, ainda, cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas na RDCongo.
Informação que já tinha adiantado esta manhã na sua conta oficial na rede social X.
"Estes números evoluem à medida que os esforços de vigilância e os testes laboratoriais melhoram, mas a violência e a insegurança dificultam a resposta", observou.
A situação no Uganda é, por enquanto, "estável, com dois casos confirmados e uma morte registada", precisou o responsável.
Um norte-americano que contraiu o Ébola na RDCongo, país vizinho de Angola, encontra-se atualmente hospitalizado na Alemanha.
"Tomámos conhecimento das informações divulgadas hoje relativas a outro cidadão norte-americano, considerado um contacto de alto risco, que foi transferido para a República Checa", indicou Tedros Ghebreyesus.
A ONU anunciou esta sexta-feira a disponibilização de 60 milhões de dólares (51,69 milhões de euros) do seu Fundo Central de Resposta a Emergências para acelerar a resposta na RDCongo e na região.
Os EUA comprometeram-se com 23 milhões de dólares (19,81 milhões de euros) para reforçar a resposta na RDCongo e no Uganda, e afirmaram que também financiariam a criação de até 50 clínicas de tratamento do Ébola nesses países.
As autoridades ugandesas afirmaram não ter conhecimento da criação de quaisquer centros de tratamento pelos EUA.
A RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
A epidemia, declarada em 15 de maio, corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual não existe vacina e cuja taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%, segundo a OMS.
O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.
Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pela epidemia atual, as diretrizes de contenção assentam essencialmente no cumprimento das medidas de barreira e na deteção rápida dos casos.
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