Barómetro da Lusofonia será apresentado na quarta-feira. Em todos os países do mundo lusófono, a saúde lidera a lista de preocupações da população.
A saúde, a educação e o desemprego são considerados os principais problemas nos países de língua portuguesa pelos seus cidadãos, segundo o primeiro Barómetro da Lusofonia que será divulgado quarta-feira em Lisboa, na sede da CPLP.
Realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas, com sede em São Paulo, no Brasil, e coordenado pelo cientista político brasileiro Antonio Lavareda, o barómetro reúne as perceções dos cidadãos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste sobre "25 indicadores" e será apresentado quarta-feira, pelas 14h30, na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
"A saúde lidera as preocupações dos cidadãos da lusofonia, com 53% das respostas, seguida da educação, com 43%, e do desemprego, com 34%", de acordo com os dados do inquérito enviado à Lusa e realizado em oito dos nove Estados-membros da CPLP.
Segundo Lavareda, em quase todos os países analisados, a saúde surge como uma preocupação central, com percentagens que frequentemente se aproximam ou ultrapassam metade dos inquiridos.
Em Portugal, a saúde ocupa igualmente o primeiro lugar, com 55% das menções, embora o desemprego surja com um peso reduzido, referido por apenas 9% dos entrevistados. A inflação também surge com baixa expressão, enquanto a economia em geral é apontada como preocupação por 22%.
A principal exceção à preocupação com a saúde é Moçambique, onde apenas 28% dos inquiridos destacam esta área.
Neste país da África Austral, a educação lidera o 'ranking' de preocupações, com 35%, seguida da saúde (28%) e do desemprego, com 21%, e de questões ligadas à inflação e à economia em geral, indicando que as inquietações económicas assumem um papel central.
Em Angola, a configuração segue a tendência geral, com educação, saúde e desemprego no topo das preocupações, mas com valores mais elevados do que a média dos países analisados.
A educação é mencionada por 53% dos angolanos inquiridos, a saúde por 48% e o desemprego por 45%. A inflação surge em quarto lugar, com um peso particularmente elevado, correspondendo a cerca do dobro da média geral.
Na Guiné-Bissau, os resultados evidenciam carências severas em áreas essenciais. A saúde é apontada como principal problema por 85% dos inquiridos e a educação por 78%, os valores mais elevados registados para qualquer indicador entre os países analisados.
Em Timor-Leste, as perceções distribuem-se por várias frentes críticas, com cerca de seis em cada dez cidadãos a referirem saúde, educação e desemprego, todas com percentagens próximas dos 59%.
No Brasil, os principais problemas identificados são a saúde, com 45% das menções, a violência, com 40%, e a educação, com 35%.
Em Cabo Verde, a violência assume um peso semelhante ao observado no Brasil, com 47% das menções, mas surge atrás do desemprego, apontado por 60% dos inquiridos, e da saúde, com 55%. A inflação e o aumento dos preços são referidos por 25%, o segundo valor mais elevado deste indicador entre os países analisados.
Relativamente a São Tomé e Príncipe, as questões relacionadas à saúde também lideram as preocupações, correspondendo a 48% das citações.
No país, o desemprego é outro ponto de alarme para a população, com 40% das indicações e a educação aparece com 29%.
De acordo com Antonio Lavareda, o barómetro revela que as preocupações centrais dos cidadãos da lusofonia estão fortemente ligadas à qualidade dos serviços públicos e às condições de inserção económica.
Num segundo patamar surgem temas como violência, inflação e acesso a água, energia e saneamento básico, concluiu.
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