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Secretário da comunicação de Bolsonaro acusado de receber valores de emissoras favorecidas pelo Governo

Wanjgarten tem acções em empresa envolvida em polémica durante a campanha que elegeu presidente brasileiro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 16 de Janeiro de 2020 às 15:52
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Adriano Machado / Reuters

Uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo colocou no centro das atenções o polémico chefe da Secretaria de Comunicação da presidência da República brasileira, Fábio Wanjgarten, escolhido pessoalmente por Jair Bolsonaro e directamente subordinado ao governante, por conduta inadequada a um ocupante de cargo público. Segundo a reportagem, Wanjgarten, responsável pela distribuição das verbas de publicidade do governo, é dono de uma empresa que recebe mensalmente valores de emissoras e agências beneficiadas com dinheiro público.

Fábio Wanjgarten tem 95% das acções da FW Comunicação e Marketing, uma empresa do ramo da comunicação que já esteve envolvida em polémica durante a campanha que elegeu Jair Bolsonaro, acusada de disparar ilegalmente milhões de mensagens com fake news denegrindo a imagem de adversários e exaltando e exagerando a figura do hoje presidente brasileiro. De acordo com a Folha, a FW recebe mensalmente avenças de ao menos duas emissoras de televisão, a TV Bandeirantes e a TV Record, além de três agências de comunicação, todas favorecidas com avultadas verbas de publicidade autorizadas pelo próprio Wanjgarten como secretário de Comunicação de Bolsonaro.

Wanjgarten defendeu-se e alegou que, ao assumir o cargo no governo, licenciou-se da FW e nomeou um administrador para o representar, não tendo mais participação na gestão, não havendo, por isso, qualquer incompatibilidade entre o cargo governamental que ocupa e o facto de ser o dono da agência de comunicação. Ainda segundo o secretário de Comunicação da presidência brasileira, os contratos citados pela Folha de S. Paulo não são novos, existem há vários anos, muito antes de ele entrar para o governo.

Ainda de acordo com a reportagem, os contratos com a Band, a Record e as agências de publicidade existem há anos, mas tiveram as suas verbas substancialmente aumentadas em 2019, primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro. Crítico feroz da imprensa, Bolsonaro tomou diversas medidas para retaliar emissoras e jornais que o criticam, nomeadamente a Folha de S. Paulo, a TV Globo e o jornal O globo, e favoreceu emissoras afinadas com o seu governo.
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