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Sobrevivente de avalanche conta horror vivido debaixo da neve

Giorgia Galassi esteve presa em absoluta escuridão 58 horas. Apenas comeu gelo.

23 de janeiro de 2017 às 15:50

Numa altura em que as equipas de resgate não esperam encontrar ninguém com vida no hotel Rigopiano, que ficou soterrado por uma avalanche, em Itália, vão surgindo mais histórias dos sobreviventes da tragédia.

É o caso de Giorgia Galassi, de 22 anos. A jovem esteve 58 horas debaixo da neve em absoluta escuridão. Valeu-lhe a companhia do namorado Vincenzo Forti, de 25 anos, que ficou a seu lado.

"O meu nome é Giorgia e eu estou viva"; começa por contar ao Corriere Della Sera, numa cama de hospital, onde está a recuperar. "Perdi completamente a noção do tempo. Ainda estou confusa. Acho que estive lá dois dias. Talvez mais", afirma. Foram 58 horas.

A estudante universitária e o namorado já tinham as malas feitas e preparavam-se para sair do hotel, tal como grande parte dos hóspedes, assustados com os tremores que se tinham sentido nos últimos dias. Giorgia e Vincenzo estavam na receção do hotel a beber chá, à espera que tivessem luz verde para poder abandonar o hotel, assim que as estradas estivessem desimpedidas de neve.

"De repente caiu tudo sobre nós. Não percebi o que se passava. Ficámos isolados e não ouvíamos nada. As nossas vozes faziam muito eco e o Vincent explicou-me que era um efeito da neve. Nunca ouvi nada que não fosse a minha voz durante algum tempo. Sentíamos que nos estávamos a afundar. Depois começámos a ouvir vozes", conta Giorgia. A sala ficou como que dividida em quatro, com uma cúpula de neve, que permitia aos sobreviventes comunicarem, mas dificilmente conseguiam chegar uns aos outros.

"Estávamos perto de uma rapariga que estava à procura do namorado e de um homem de Roma, que estava gravemente ferido porque foi atingido por uma trave. Falámos também com uma mãe que gritava pela filha, Francesca. E depois havia a Adriana e os filhos. Estava tudo completamente escuro. Ajudámo-nos uns aos outros usando as lanternas dos telemóveis", explica a sobrevivente.

"Algumas crianças choravam baixinho, mas portaram-se bem. AO fim de algum tempo não tinha medo. Era só adrenalina", explica a jovem italiana. Durante todo o tempo que esteve soterrada, Giorgia só comeu neve e gelo. "Conseguíamos beber água, já era bom", conclui.

Depois, Giorgia adormeceu e não sabe quanto tempo esteve a dormir com o namorado. Foi acordada por sons mecânicos. "Começámos a gritar: ‘Estamos aqui! Estamos vivos’. Não acreditávamos que fosse possível", conclui Giorgia, emocionada.

Primeiro foram as mães e as crianças, depois o romano com o braço ferido. Finalmente chegou a vez de Giorgia e do namorado, Vincenzo. Que recuperam agora, lado a lado, no Hospital de Pescara. Nas redes sociais Giorgia deixou uma mensagem: "Queria agradecer a todos os que se preocuparam comigo nestes últimos dias e que pensaram em mim. Para mim, hoje é como um renascimento. Obrigado a todos".

Os último dados dos bombeiros davam conta de seis corpos retirados dos escombros, nove sobreviventes resgatados e 23 pessoas ainda desaparecidas no monte de neve que se desprendeu do Monte Sasso, após três sismos, na quarta-feira.

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