Agência Europeia do Ambiente que a aposta na ferrovia no transporte de mercadorias esteja a diminuir.
O transporte ainda é o desafio climático mais persistente da Europa, alertou a Agência Europeia do Ambiente (AEA), que lamenta que o uso da ferrovia no transporte de mercadorias esteja a diminuir, embora seja a melhor solução.
Num comunicado divulgado esta terça-feira, a AEA destaca que o transporte ferroviário oferece "uma elevada eficiência energética e baixas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e poluentes atmosféricos", representando uma das opções mais eficazes para reduzir a pegada ambiental dos transportes na Europa, principalmente para viagens de média e longa distância.
No entanto, acrescenta, "o sistema ferroviário europeu continua fragmentado e a limitada integração transfronteiriça" continua a restringir a sua capacidade de competir com o transporte rodoviário e aéreo.
"No transporte de mercadorias, a atividade ferroviária diminuiu entre 1995 e 2023, embora se preveja um aumento da procura na próxima década".
De acordo com um relatório publicado esta terça-feira, "Sustentabilidade dos Sistemas de Mobilidade da Europa 2025", apesar das vantagens da ferrovia, a contínua dependência da Europa em relação ao transporte rodoviário mantém em alta as emissões de gases com efeito de estufa e poluentes.
Se por um lado os transportes dão origem a 10 milhões de empregos e contribuem com cerca de 5% do PIB da União Europeia (UE), por outro são o único setor importante em que as emissões de GEE aumentaram desde 1990.
Dados de 2023 citados no documento indicam que os transportes representaram aproximadamente um terço do total das emissões de GEE da UE, sendo o transporte rodoviário responsável pela grande maioria.
No documento recordam-se os grandes objetivos da UE, de neutralidade climática até 2050 e as metas de poluição zero para 2030, e aponta-se a "pressão significativa" dos transportes no ambiente e na saúde humana.
"As emissões de certos poluentes, incluindo o amoníaco (NH3) e o óxido nitroso (N2O), continuam a ser difíceis de reduzir, enquanto a poluição sonora proveniente dos transportes continua a afetar milhões de pessoas em toda a Europa", diz a Agência.
O comunicado salienta a dominância do transporte rodoviário para viagens de passageiros, mas também de carga, e que os automóveis ligeiros de passageiros representam cerca de 72% da atividade de transportes na Europa, enquanto os transportes públicos não aumentaram significativamente a quota.
"Em 2023, o transporte rodoviário foi responsável por quase três quartos das emissões de GEE relacionadas com os transportes, refletindo a contínua dependência do setor em relação aos combustíveis fósseis, que forneceram mais de 90% do seu consumo de energia", segundo o comunicado.
E acrescenta ainda que o tráfego rodoviário é também a principal fonte de ruído relacionado com os transportes, com cerca de 90 milhões de pessoas na UE expostas a níveis de ruído prejudiciais acima dos limites estabelecidos.
No relatório que serve de base ao comunicado prevê-se que a aviação e o transporte marítimo representem uma parte crescente das emissões do setor dos transportes na Europa, com uma contribuição combinada que deverá aumentar de cerca de um quarto das emissões de GEE relacionadas com os transportes, atualmente, para quase metade até 2050.
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