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Três deputadas conservadoras abandonam o partido em rutura com Theresa May

Políticas britânicas criticam os que defendem o Brexit sem acordo e juntam-se a dissidentes trabalhistas. May tenta negociar em Bruxelas.
José Carlos Marques 20 de Fevereiro de 2019 às 13:45
As deputadas britânicas Heidi Allen (esq), Anna Soubry e Sarah Wollaston
Theresa May sai de Downing Street para novo debate sobre o Brexit no Parlamento
Theresa May
As deputadas britânicas Heidi Allen (esq), Anna Soubry e Sarah Wollaston
Theresa May sai de Downing Street para novo debate sobre o Brexit no Parlamento
Theresa May
As deputadas britânicas Heidi Allen (esq), Anna Soubry e Sarah Wollaston
Theresa May sai de Downing Street para novo debate sobre o Brexit no Parlamento
Theresa May

Três deputadas do Partido Conservador de Inglaterra anunciaram esta quarta-feira o abandono do partido para se juntarem ao grupo independente formado por sete ex-deputados trabalhistas que também abandonam o seu partido, em rutura com a liderança de Jeremy Corbin.

Em comum têm todos posições a favor da continuação da relação do Reino Unido com a União da Europeia e, sobretudo, o repúdio de uma saída sem acordo, cenário que ganha força a cerca de cinco semanas do prazo previsto para a concretização do Brexit, a 29 de março.

As deputadas Anna Soubry, Sarah Wollaston e Heidi Allen criticam duramente a líder do partido, Theresa May, acusando-a de virar à direita e assumir as posições do Ukip, o partido nacionalista que se destacou pela campanha anti-Europa.

Numa carta dirigida a May, as deputadas dizem que "não sentimos que possamos continuar no partido de um governo cujas políticas estão tão firmemente coladas ao ERG e ao DUP [O ERG é o grupo de investigação europeu, uma fação do partido conservador marcadamente eurocético e o DUP é o Partido Democrático Unionista, que apoia o governo de May em acordo parlamentar]", cita o Guardian.

"O Brexit redefiniu o Partido Conservador - desfazendo todos os esforços para o modernizar. Houve um falhanço absoluto de enfrentar a ala dura do ERG, que opera como um partido dentro do partido, com o seu próprio líder, controlador e políticas", acusam as deputadas na missiva.

Em reação à saída das deputadas, Theresa May disse lamentar a posição das deputadas e lembrou que o tema do Brexit tem dividido tanto o partido como o próprio país. A primeira-minsitra agradeceu o "serviço dedicado ao partido, durante muitos anos" que as três dissidentes prestaram.

Theresa May está em Bruxelas e quer votar novo acordo para o Brexit "assim que possível"

A primeira-ministra Theresa May disse esta quarta-feira que pretende apresentar uma versão revista do acordo do Brexit "quando for possível trazer um acordo que responda às questões que o Parlamento invocou". A líder do governo britânico referia-se às objeções dos deputados ao acordo chumbado em janeiro no Parlamento, que deitou por terra o que tinha sido estabelecido com a UE. A questão da fronteira da Irlanda do Norte com a República da Irlanda continua a ser o ponto mais polémico.

A governante está esta quarta-feira em Bruxelas, onde se vai encontrar com Jean Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, na tentativa de alterar o acordo já negociado, de modo a que se chegue a um novo documento que possa ser aceite pelo parlamento britânico. Um esforço que se adivinha muito difícil, dadas as reticências que os europeus têm demonstrado em voltar a abrir as negociações fechadas no final de 2018.


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