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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"A autoridade política gasta-se depressa a explicar tanques e atrelados"

30 de julho de 2026 às 00:32

Luís Neves começou por tapar José Luís Carneiro. O ministro entrou na sala para ler o texto no minuto exato em que o secretário-geral do PS dava conta do resultado da reunião com o primeiro-ministro. Um gabinete ministerial em crise ou uma agência de comunicação tem a obrigação de saber a que horas deve falar o líder. Foi o primeiro erro político. A ponte com o PS ficou mais estreita. Seguiram-se cerca de cinquenta minutos. Neves esteve determinado a esclarecer todas as dúvidas, e esse é um mérito que não lhe deve ser retirado. Ainda assim, ficaram pontas soltas nas obras e nos 5 mil euros pagos em dinheiro, na deslocação do atrelado, na colocação de matérias perigosas na via pública, na falta da declaração de interesses ou na passagem de tanque a piscina, “contra a vontade” de Neves.

O Ministério Público vai agora prosseguir com a investigação. Veremos o que conclui. Para já, o que está demonstrado não é um crime, é um método. Decisões nem sempre fundamentadas que o ministro justifica com falta de dinheiro da PJ. “Se fosse hoje, faria as coisas de forma diferente”, foi a confissão mais importante. Estará fragilizado politicamente, como disse José Luís Carneiro, tapado por Luís Neves? Talvez. Mas o que os portugueses querem do ministro da Administração Interna é que combata os fogos com eficácia e mantenha Portugal com uma criminalidade controlada. É um cargo que exige autoridade, e essa gasta-se depressa a explicar tanques e atrelados.

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