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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"É corajoso citar um poeta espanhol na véspera do jogo da seleção nacional"

02 de julho de 2026 às 00:32

Acabou o primeiro Mundial, vamos começar o segundo. Roberto Martínez disse-o melhor que ninguém, ontem, na conferência de imprensa. Feitas as experiências, ganho o ritmo, resolvido o apuramento, hoje é a hora da verdade. A primeira de várias, esperemos. A Seleção deve ter em mente o que se passou com a Alemanha, eliminada por uma equipa considerada mais fraca, ou mesmo com o Brasil ou a Inglaterra, neste último caso salva por um golpe de génio do ponta de lança Kane frente ao nosso conhecido Congo. O que se diria do nosso primeiro empate se os ingleses tivessem sido eliminados!

Roberto Martínez é um homem curioso. Ao fim de 3 anos e meio entre nós, já deve ter bem consciência do risco que corre ao citar um poeta de Espanha na véspera do primeiro teste decisivo de Portugal. E mesmo assim fê-lo. A ousadia casa com a qualidade literária, e prova ao menos a coragem do selecionador. “O caminho faz-se caminhando”, disse ele aos jornalistas, invocando o espanhol António Machado, numa citação não totalmente exata, mas que capta o espírito do poema. Talvez seja esta a coragem que Martínez invoca como sendo o que falta aos jogadores. Acreditarem que podemos ganhar, e fazer caminho, caminhando. Nós acreditamos, Portugal acredita, e vai voltar a ficar acordado madrugada fora para, no fim, começarmos de novo a pensar na Espanha, adversário provável nos ‘oitavos’. Em frente!

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