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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"Portugal esquece-se de uma parte de si, que entrega ao fogo, ano após ano"

12 de agosto de 2025 às 00:32

Não é o facto de ser uma imagem repetida ao longo dos anos que retira impacto às cenas a que temos assistido nos últimos dias, de homens e mulheres isolados no Interior do País, a combaterem o inferno das chamas com baldes de água retirados de tanques enlameados, ou com simples mangueiras que despejam tímidos jatos de líquido no muro de fogo, ou até com improvisados ramos de árvores a bater nas chamas, desta forma tentando apagá-las.

Trata-se de uma verdadeira metáfora do País que se virou para o Litoral e para o mundo urbano, que ostraciza o Interior e a floresta, vista, tantas e tantas vezes, como mero empecilho à espera de uma limpeza que ninguém quer pagar. Este ano, parece-nos a todos que os fogos estão mais fortes e impiedosos. Tendemos, talvez, a culpar as alterações climáticas, mas a verdade é que a falta de bombeiros, a má organização do combate no terreno, a carência de meios aéreos e um certo desprezo do poder central pela urgência que toda a gente estava a antever, todos estes fatores contribuíram para o incremento dramático da área ardida e para esta sensação de impotência que nos volta a tolher o juízo que emitimos sobre este fenómeno recorrente.

Portugal esqueceu-se de uma parte de si, que entrega ao fogo ano após ano. Será uma inevitabilidade?

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