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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"Sabemos pouco do negócio da REN. A não ser quem paga. Fácil. Somos nós"

21 de setembro de 2026 às 00:32

Convém não perder de vista que o Governo gastou na compra de uma percentagem minoritária da REN uma verba praticamente igual a todo o dinheiro que vai despender para reduzir os escalões do IRS ou para pagar um subsídio extra aos pensionistas mais desfavorecidos. Foi o próprio Ministério das Finanças que detalhou o montante envolvido na operação, no comunicado de sábado em que tentou desmentir uma notícia do Correio da Manhã que estava certa. Por 13,7% do capital da empresa, pagámos 389,8 milhões de euros, diz o gabinete de Miranda Sarmento, acrescentando 100 mil euros em trabalho de assessores. Não é pouco dinheiro, portanto. Longe disso. É imperativo que um negócio desta dimensão seja esclarecido ao mais ínfimo pormenor. O dinheiro dos contribuintes é sagrado e o povo exige saber, com todo o rigor, qual o destino dado ao nosso património comum. Que tudo isto ocorra em plena crise energética, por um lado, e quando o Executivo está sob pressão política para reduzir a fiscalidade dos combustíveis, por outro, é um daqueles imprevistos que por vezes mudam o rumo da governação. Até por isso, as Finanças tinham tudo a ganhar em reforçar a transparência. A nossa manchete de sábado teve o mérito de forçar o ministério a dar alguma informação, mas sabemos ainda muito pouco sobre este negócio com a REN. A não ser quem paga. Fácil. Somos nós. 

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