Carlos Rodrigues
DiretorNo processo de tentativa de apropriação progressiva de António José Seguro pelos mais variados e surpreendentes quadrantes, ontem deu-se mais um passo significativo. Cavaco Silva anunciou que vai votar e que apoia o provável próximo Presidente da República, e apresentou uma justificação curiosa. Diz Cavaco que Seguro é “uma pessoa honesta e educada”, o que transporta o endosso para um território inesperado. Dizer-se de alguém que concorre a uma eleição que é honesto e educado, mais não é que uma forma de dizer que, ao contrário, o seu adversário é precisamente o oposto, ou seja, para Cavaco Silva o candidato André Ventura não é honesto nem é educado, pelo que não merece a escolha. Trata-se de uma engenhosa fuga a qualquer justificação política. Cavaco não fala do extremismo nem do radicalismo do Chega, antes fala de um território que escapa à crítica política, e que é o da decência e dos valores humanos básicos. Parece a versão cavaquista de engolir um sapo, versão século XXI. António José Seguro será um dos Presidentes mais livres da democracia, porque chegará a Belém no final de uma caminhada solitária e sem precisar do apoio dos notáveis que se atropelam para se juntar à carruagem do vencedor, tentando impor encomendas e prioridades de última hora, mas na verdade dando apenas argumentos ao seu adversário e à sua campanha.
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Por Carlos Rodrigues
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