Carlos Rodrigues
DiretorA reforma das leis laborais nasceu torta e nunca chegará a endireitar-se. Governo, UGT e partidos da oposição estão a ver quem escapa melhor à fama de ter deitado tudo a perder. O esforço para passar as culpas ao parceiro do lado justifica-se, em cada um dos casos, por razões diferentes, mas todas elas ponderosas.
Vejamos: o Governo quer evitar ser responsabilizado pelo fracasso, porque isso vai reforçar a imagem de nada fazer e de não conseguir gerar consensos no parlamento. A paralisia e o imobilismo são rótulos que ficam cada vez pior a este Executivo, sobretudo desde o advento das pressões de Passos. Já para a oposição será um pouco mais fácil escapar às culpas no cartório, desde logo porque a iniciativa cabe à equipa de Luís Montenegro.
Porém, tanto o PS como o Chega gostariam de ter pretextos bastante claros para chumbar a lei quando e se ela chegar ao parlamento. Para isso, têm de dramatizar ao máximo, e assim farão. A UGT, finalmente, viu-se apertada pelo Presidente, quando este, ainda candidato, afirmou discordar de qualquer consenso que não envolva a central sindical. Isso transformou-se num problema bicudo. Por este conjunto de razões, é natural que o tema continue a marinar até que haja um bom pretexto de alguém para o abandonar. A incapacidade do País para reformar seja o que for só tem comparação com a tendência para criar problemas onde eles não existem. Eis, em resumo, a crónica da morte anunciada da reforma das leis laborais.
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Por Carlos Rodrigues
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