O que mais me entristece na vitória de Seguro é que, nos próximos cinco ou dez anos, vou deixar de lhe poder chamar Tozé. Aprendi com o meu Presidente favorito, Jorge Sampaio, uma regra simples: “Caros concidadãos, o respeito é ao cargo, não a mim.” Sampaio foi civil antes e depois de ocupar aquele cargo temporário. Vénia. Se o Tozé, perdão, Seguro, cumprir essa regra, já tem meio caminho andado. O candidato em quem votei na primeira volta não passou à segunda. Tal como outros sete, sabia que não tinha chances. Ainda assim, todas as candidaturas valeram a pena. Tiveram tempo de antena, num tempo em que até o tempo de antena está de chuva. Marques Mendes e o almirante tinham chances. O segredo era passarem à segunda volta contra o candidato dos urros na mesa. Este também sabia isto, e foi lá só para aparecer. Justiça seja feita, tirou proveito. E mais tiraria, se perdesse o hábito de trocar o dito por não dito. Tal como muita gente de direita votou Seguro, eu teria votado Marques Mendes. “Estás com o sistema”, “só queres é tacho”, dirão alguns. Não nego. Embora a experiência me mostre que muitos dos que acusam outros de “só quererem tacho”, na hora da verdade, também eles… enfim. O sistema democrático tem sempre muitas falhas. Aliás, quanto mais democrático mais à vista as falhas. Basta censurar a imprensa para logo, por milagre, as más notícias desaparecerem. Nos jornais do Irão, nada de mal terá acontecido por estes dias nas suas ruas. Quando muito, apenas um ou outro opositor partir uma unha. Basta acabar com ‘o sistema’ (tradução: com a democracia) para as asneiras desaparecerem por passe de mágica. Até num assunto tão trivial como o acrescentar ‘filtros de chuva’ a um vídeo é difícil àquela rapaziada dizer a verdade. No entanto, era tão simples: “Sim, acrescentámos um efeito dramático para sublinhar uma situação dramática, mas fizemo-lo com boa intenção.” Népia. Lá negaram o que, além de inegável, nem valia a pena negar. O hábito foi mais forte que o bom senso. Assim não vão lá.
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