Chegado a certa altura do arco de uma vida, é provável que tenha perdido a capacidade de me surpreender com as novidades do mundo, como se elas fossem repetição de acidentes registados em velhos livros de História, campanhas militares de há séculos, listas de pantomineiros que aparecem periodicamente, presidentes absurdos, mapas de civilizações prestes a desfazer-se. O facto de não ficarmos surpreendidos não é uma vantagem – é, sobretudo, um atestado da idade que se transporta. Penso nisso ao ver imagens do presidente americano ou ao ler as suas imprecações, que antigamente eram proibidas depois do ensino elementar. A minha sobrinha Maria Luísa acha que não me exaspero, o que é verdade – e Dona Elaine, a circunspecta governanta deste eremitério de Moledo, esclarece-a: “Acho que o senhor doutor já não tem paciência. Às vezes pede para mudar de canal, mas é o mesmo em todos.” Não a desminto, mas o caso não tem a ver com paciência e sim com a capacidade de certas ocorrências já não me surpreenderem e terem deixado de me interessar. O curso da História, lamentavelmente, vai buscar alimento ao passado, onde não faltam casos de insanidade ou insensatez.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
"Às vezes pede para mudar de canal, mas é o mesmo em todos”
Estávamos, todos, a precisar daquela beleza num país zangado consigo mesmo.
Não gostava do Generalíssimo como não gostava do dr. Salazar, o que várias vezes se apresentou ser um problema para a família
A olhar o nevoeiro entre as agulhas dos pinhais.
A mesma Pátria chorosa volta a não ler o escritor tão amado que durante dois dias foi o mais folheado dos seres humanos
Aguardam que o Professor Marcelo regresse ao “comentário político” enquanto o Dr. Seguro arruma o Palácio de Belém.
O Correio da Manhã para quem quer MAIS
Sem
Limites
Sem
POP-UPS
Ofertas e
Descontos