Ao longo da chamada “segunda metade da vida”, a Tia Benedita – a matriarca miguelista dos Homem – evitava saber o que não lhe agradava e construía um mundo onde albergava tranquilamente os seus fantasmas. Creio que, de vez em quando, tinha pesadelos ameaçadores nos quais Ponte de Lima, onde viveu e morreu, estava sitiada pela imoralidade, pelo bolchevismo, pela maçonaria e pela república ou por várias das suas encarnações, como o dr. Afonso Costa, os Cabrais e creio que o marquês de Pombal. Na verdade, nunca conheceu nenhuma dessas ameaças ao Trono e ao Altar – e o demagogo republicano, por exemplo, tendo sido uma ameaça real, era apenas um recurso de que ela se servia para mostrar que a história humana não tinha finalidade. Um dia, o velho Doutor Homem, meu pai, recordou-lhe que o dr. Afonso Costa não viria assaltar as igrejas do Minho nem proibir a Semana Santa de Braga pela simples razão de já ter morrido bem longe de Ponte de Lima, em Paris. A Tia Benedita, que estava a folhear um número antigo da ‘Jours de France’, acenou que sim, que sim, e respondeu-lhe com uma simplicidade que não admitia recurso: “Isso é o que o menino julga.” E continuava alerta como uma sibila desenhada por Walter Scott, vestida de negro e de semblante carregado.
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