Eu gostaria de fazer uma história da ‘música cafona’ brasileira, o que nós chamamos ‘pirosa’ ou ‘pimba’, designação recente. Sou colecionador. De Bartô Galeno (‘No toca-fitas do meu carro’) a Reginaldo Rossi, Waldick Soriano ou Lindomar Castilho, de Odair José a Nilton César (‘A namorada que sonhei’), Wando ou Sidney Magal. E derivações, naturalmente - de Raul Seixas e Roberto Carlos, ‘o rei’.
Canções sobre dramas de cair redondo, amores melodramáticos e em ruína, sentimentais até dar vontade de rir. No fundo, milhões de milhões de discos vendidos no mundo, e que em Portugal fizeram uma época (até nas versões educadas de hoje, insuspeitas). Um dos nomes brutais era o de Nelson Ned (1,15 m de altura, voz poderosa, morreu em 2014).
Quem não recorda, aí, o seu grande hit, uma das grandes canções (43 versões), ‘Tudo passará’, cantada ao lado de Tony Bennett? Ou ‘Domingo à tarde’, glória das juke-boxes dos 70, ao lado de Júlio Iglésias? Nelson Ned faria hoje 70 anos. Podemos rir dele, mas nesses anos (antes de se tornar cantor evangélico) era enorme. Um vozeirão.
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Citação do dia: "Muitos duvidavam de uma acusação no caso Marquês mas ela está a chegar", Eduardo Dâmaso ontem, no CM Sugestão do dia: Jane Austen
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