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Marcos Perestrello

Marcos Perestrello

Deputado do PS

Paris não foi uma festa!

19 de fevereiro de 2025 às 00:30

Na semana passada, neste mesmo espaço de opinião, partilhei um conjunto de preocupações sobre os riscos de segurança que ameaçam a Europa. Fi-lo com o objetivo de sublinhar a ingenuidade dos que pensam bastar mais dinheiro para resolver esses problemas - há muitas décadas que a Europa se habituou a resolver problemas assinando cheques. Mas tal estratégia só resulta para pequenos problemas. A resposta europeia à pandemia de Covid-19 que assolou o mundo no início desta década devia ter servido de lição, mas aparentemente não serviu. A dimensão da crise provocada pela pandemia fez a União Europeia e os países europeus perceberem que além de dinheiro era necessário encontrar uma liderança capaz de tomar decisões e implementar soluções. Mesmo fora do quadro de competências da União, a excecionalidade e gravidade da ameaça sanitária falou mais alto e os resultados foram excelentes. Em 2014, os Aliados Transatlânticos acordaram que até 2024 passariam a gastar 2% da sua riqueza com a defesa da região do Atlântico Norte. Dois terços dos membros da NATO já atingiram esse objectivo. Não obstante, este significativo aumento da despesa europeia com a sua defesa não se traduziu no aumento suficiente das capacidades militares necessárias para garantir a paz e a qualidade das nossas democracias. Há muito tempo que vão sendo feitos consecutivos avisos pelos Estados Unidos da América, que consideram desequilibrados os contributos de cada um para a segurança coletiva. A mudança de tom dos últimos dias e, em particular, o alinhamento do discurso feito em Munique pelo Vice-Presidente Vance com o discurso da extrema-direita europeia obrigarão a Europa a mudar também de estratégia e a reforçar-se definitivamente no plano militar e político, na defesa da segurança, mas também dos valores das democracias liberais. No próximo mês de junho, os chefes de estado dos países da NATO reunir-se-ão na Haia. Dessa reunião vai sair um novo acordo que forçará todos a aumentar as suas contribuições para a segurança da Europa e quem o recusar ficará em muitos maus lençóis. Mais uma vez, sobre o dinheiro a Europa acabará por se entender mas, ao contrário do que sucedeu durante a pandemia, desta vez os Europeus parecem não ter compreendido ainda a real dimensão e a urgência do problema de segurança. A reunião de segunda-feira passada convocada pelo Presidente da França para responder aos discursos americanos das últimas semanas demonstrou que do lado de cá do Atlântico continua a faltar clareza política.

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