O futebol é uma “causa fraturante”. Jorge Luis Borges, o infatigável criador de arquétipos e labirintos, sentenciou que "o homem deixou de jogar xadrez e passou a jogar futebol", classificando-o como “um símbolo da degradação social”. Albert Camus, um dos romancistas que mais profundamente me comoveu, dedicou-lhe palavras gratas: "tudo o que sei sobre a moral e as obrigações dos homens, devo-o ao Racing Universitário de Argel" (que representara como jovem guarda-redes). A afirmação, de 1953, foi repristinada pelo 'France Football' quatro anos volvidos, por ocasião da justíssima atribuição do Nobel da Literatura - inexplicavelmente recusado a Borges. Por experiência própria, posso afiançar que nem o modesto domínio do xadrez me ensinou a dar pontapés na bola nem o gosto de assistir ao jogo tornou mais modesto ainda tal domínio. Confesso, porém, que o futebol me tem desiludido no passado recente. O que era jogo tornou-se um negócio. Deixou de ser desporto para se converter numa indústria.
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