Defender a liberdade de expressão exige mais do que apoiar com entusiasmo a divulgação das ideias com que concordamos. Se fosse só isso, então Salazar, Estaline, Hitler e a Santa Inquisição teriam sido ferozes defensores da liberdade de expressão.
Quando chega a hora de defender a divulgação das ideias com que discordamos, ou que nos fazem duvidar do conteúdo da caixa craniana de quem as teve, tudo se complica. E não é preciso muito para que o caudal da intolerância galgue as margens da razão. Ao ponto de haver quem seja capaz, e tenha orgulho, de ser fotografado a pegar fogo a exemplares de um livro.
No limite, a defesa da liberdade de expressão pode ser radical ao ponto de abranger o direito a queimar livros, até porque cada exemplar comprado – tenha por destino uma estante ou ser convertido em cinzas – torna mais provável a reedição do livro em causa.
O pior é imaginar o que aconteceria se os intolerantes e os bibliopirómanos pudessem fazer tudo com o que sonham.
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O direito a ter o seu Alentejo
Henrique Raposo escreveu ‘Alentejo Prometido’ (Fund. Francisco Manuel dos Santos). Ninguém é forçado a comprar, ou a ler. Mas que pode, pode.
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