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Rui Zink

Rui Zink

Afroman, és o maior

29 de março de 2026 às 00:30

Afroman é o nome artístico de Joseph Foreman, um cantor esperto que vive de pequenos concertos e de fazer versões cómicas de melodias reconhecíveis. O nome de palco vem do seu corte de cabelo, um volumoso ‘Afro’ à anos 70. Este Afroman é um cruzamento entre Quim Barreiros e Manuel João Vieira, com o Toy da fase cubista à mistura. E agora, graças a um processo em tribunal, o Afroman descobriu também a Joana Marques que há em si. Talvez por causa de um sucesso da internet há muitos anos sobre “estar ganzado”, na vila do Ohio onde vive alguém fez uma denúncia anónima a dizer que tinha quilos de droga em casa. E ainda, para juntar ao ramalhete, que era um sinistro pedófilo com crianças raptadas na cave. As suspeitas não tinham mérito, o Afroman nem sequer cave tinha, mas, talvez por ele ter cor de criminoso, um juiz achou a suspeita credível o suficiente para emitir um mandado de busca e apreensão. Nesse dia ele não estava em casa quando a polícia lhe arrombou a porta, aterrorizando mulher e filhos. Regressava de um concerto. Mas viu tudo porque (como bom americano), tinha câmaras de vigilância. E foram estas que apanharam os agentes fazendo as suas buscas. Nada foi encontrado, mas o mal também estava feito. Afroman ainda esperou um pedido de desculpas, mais o pagamento da porta arrombada. Debalde. Aí pensou: como retalio? E, se bem pensou, melhor agiu. E fez aquilo que um artista cómico melhor faz: transformou uma experiência má numa paródia boa. Começou a pôr na internet vídeos musicais, ilustrados com as partes gagas da malograda busca. Os alvos do gozo não gostaram e toca de o processar, pedindo um balúrdio por danos à autoestima. Azar deles, o Afroman defendeu-se demasiado bem. “Então agora os meus algozes fazem-se de vítimas?”, disse no tribunal. “Olhem, eu acho que até tive imenso fair-play. Em vez de ir arrombar as vossas portas e aterrorizar os vossos filhos, limitei-me a fazer músicas engraçadas.” A minha canção favorita pega na imagem de um dos agentes a espiolhar um bolo em cima da mesa feito pela mãe do Afroman: “Ele ficou todo guloso / quando viu o saboroso / bolo de limão / da minha mamã”.

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