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Carlos Moedas

Carlos Moedas

Presidente da Câmara de Lisboa

Amos Oz e o Fado

04 de janeiro de 2019 às 00:30

Morreu Amos Oz um dos maiores vultos da literatura mundial. Deixou-nos grandes romances como ‘De Amor e Trevas’, onde conta a história da sua vida que se cruza com a criação do Estado de Israel. Foi uma das primeiras vozes a lutar publicamente pela chamada solução dos dois estados: um estado judeu e um estado palestiniano como a única solução possível para o conflito do Médio Oriente. Um homem de paz, que se bateu pela paz e por uma sociedade mais justa.

Mas talvez um que muitos desconhecem é que o editor parisiense de Amos Oz foi Alain Oulman, o grande compositor dos fados de Amália e o homem que realmente transformou o fado em Portugal. Oulman foi capaz de integrar pela primeira vez no fado de raiz popular os grandes poetas portugueses musicando para Amália poetas como David Mourão Ferreira, Alexandre O’Neill, Pedro Homem de Mello, José Régio e Luís de Camões. Algo nunca visto até então e muito criticado na altura. Muitos acusaram-no mesmo de ser estrangeiro e de por isso não ter direito a compor fado português, mas Amália sempre o defendeu e sempre o valorizou.

Num documentário extraordinário realizado por Nicholas Oulman, filho de Alain Oulman, chamado ‘Com que Voz’, Amos Oz conta-nos que Alain Oulman tinha um ouvido musical para os textos. Amos não falava francês e Alain não falava hebraico e por isso comunicavam e discutiam palavra a palavra em inglês para, finalmente, Alain escolher a melhor maneira de exprimir uma certa ideia em francês.

Amos desconhecia a relação de Alain com Amália, mas contava que Alain lhe pedia para que ele lesse em voz alta cada palavra em hebraico para ouvir o som da palavra e só depois a traduzia. Esta interação entre a música e a literatura levou Amos Oz a definir a literatura como música, mas sobretudo a trabalhar na intersecção entre as palavras e a musicalidade das mesmas nos seus romances, o que fez dele um dos maiores escritores do século XX.

Hoje falamos na necessidade de trabalhar na intersecção das várias disciplinas como força motora da criatividade e da inovação. Essa foi força de Steve Jobs, que trabalhou sempre entre a arte e a tecnologia, ou Einstein, que quando precisava de inspiração tocava Mozart com o seu violino.

Amos nunca ganhou o prémio Nobel e bem o merecia e Alain Oulman para mim nunca foi devidamente reconhecido no papel que teve não só na transformação do fado português, mas também na intersecção entre a literatura e a música. Vale a pena recordá-los neste princípio do ano.

O Euro faz 20 anos

Para mim, o Euro é sem dúvida o passo mais importante e tangível na construção da União Europeia, porque mais do que todos os outros está no nosso bolso todos os dias.

Lembro-me do orgulho que senti como português emigrado de poder pagar em Paris com a mesma moeda que pagava em Lisboa e mostrar a toda a gente a parte de trás das moedas de euro que trazia de Lisboa com os castelos, os escudos e o selo real português de 1144.

Desde então o Euro tornou-se a moeda para mais de 340 milhões de europeus, mas sobretudo tornou-se uma moeda de referência mundial. É bom neste dia recordar as vantagens do Euro que hoje parecem esquecidas depois de anos de crise: a estabilidade dos preços, protecção das poupanças e os custos de transação mais baixos, mas sobretudo o sentimento de estarmos unidos neste grande projeto que é a Europa. O Euro é hoje mais do que uma moeda.

É parte do nosso orgulho e da nossa identidade europeia.

Voos comerciais sem plásticos

Nesta quadra natalícia, a Hi Fly, companhia aérea portuguesa, ope-rou quatro voos livres de plástico de uso único a bordo. Foram evitados 350 kg . O compromisso é de ser a primeira companhia do mundo a remover o uso do plástico. Um símbolo na aviação mais sustentável, um dos sectores com maior pegada ambiental.

Tropas americanas de saída da Síria 

2018 foi o ano menos mor-tífero na Síria, desde o início da guerra civil em 2011. Mas também foi o ano em que Bashar al-Assad reconquis-tou quase dois terços do territó-rio, graças ao apoio militar do Irão e da Rússia. As declarações precipitadas de Trump de retirar as tropas americanas que com-batem os jihadistas não pers-pectivam melhorias.

16%

dos utilizado-res da internet na Europa que têm emprego relataram que as suas tarefas profissionais se alteraram nos últimos 12 meses devido a software ou equipa-mento novo. A última sonda-gem do Eurostat sobre a digita-lização no trabalho vem confir-mar a enorme importância das capacidades digitais no mundo do trabalho.

Uma Europa que... aplica 

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