António Guterres foi oficialmente confirmado como secretário-geral das Nações Unidas. Cristiano Ronaldo conquistou, pela quarta vez, a Bola de Ouro. Dois importantes acontecimentos que premeiam a qualidade excepcional de dois portugueses obstinados em escapar à trilha imposta pelas circunstâncias dominantes e colocar-se no plano em que estão algumas das grandes figuras que marcaram os destinos comuns. Não conheço Cristiano, mas gostava de o conhecer. Ele possui, simultaneamente, a grandeza e a humildade que constroem os grandes destinos, e o gosto acentuado pelos prazeres da vida.
Sou daqueles para quem as vitórias dos que conheço ou prezo constituem alentos pessoais. Tenho passado a vida nisto: a bem-dizer os que, pelas virtudes próprias ou pelos méritos pessoais, amarinharam pelas rudes escadas que lhes eram apresentadas. Não conheço pessoalmente Cristiano Ronaldo, mas prezo-o e admiro-o pelo comportamento. E, também, porque prezo e estimo todos aqueles que se opuseram à mediocridade imposta e circundante.
Conheci António Guterres no gabinete de João Soares Louro, na Cinevoz, para aonde fui trabalhar, durante uns meses, em época de crise, e para arredondar a conta ao fim do mês. Guterres e outros mais, como, por exemplo, Aquilino Ribeiro Machado, encontravam-se, amiudadas vezes, para tecer pequenas conspirações sem consequências.
Soares Louro convidava-me a, com eles, beber uns uísques. Certa tarde, perante algumas modestas picardias que eu dirigira a Guterres e ao bigode, que ele, então, ostentava com insistente volúpia, Soares Louro comentou: "Olhe que ali está um homem de poder." Segui, à distância, a desenvolta carreira do homem. E acho que ele merece o que conquistou. Nunca fez ondas demasiado altas, e, de palavra, foi sempre cuidadoso e prudente, movendo-se com destreza e extrema habilidade.
Que Deus Nosso Senhor o proteja e continue a iluminá-lo.
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