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Fernanda Cachão

Fernanda Cachão

Editora da Correio Domingo

Ceuta

04 de agosto de 2026 às 00:30

Há uma espécie de fobia das sociedades ocidentais ante as migrações. O que já foi considerado uma questão humanitária, que espoletava sentimentos de solidariedade próprios da cultura judaico cristã, hoje em dia é interpretada de forma maniqueísta. Não, não é por causa deles que o nosso estilo de vida está em causa. Mas o facto de haver parte substancial de europeus a acreditar neste falso pressuposto é sintoma de decadência, pelo menos, dos valores europeus. Também não se pode interpretar que o que se passou em Ceuta seja consequência direta das políticas de Sánchez. A deslocação para norte por uma melhor vida é também ali uma realidade antiga, nunca alterada. Não é por acaso que Marrocos recebe centenas de milhões de euros da União Europeia para prevenir este tipo de catástrofes humanitárias. Por isso, a crise brutal em Ceuta é consequência direta da falta de condições socioeconómicas na origem e pelo menos uma amostra da rapidez de comunicação que a sociedade digital permite a todos, ricos e pobres. Foi também um vislumbre de como pode ser utilizado na geopolítica o desespero dos pobres, que hoje em dia têm acesso às redes sociais - essa arma de manipulação maciça. Já se viu na Polónia.

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