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Fernanda Cachão

Fernanda Cachão

Editora da Correio Domingo

A colheita de 1926

02 de agosto de 2026 às 00:30

Cem anos e ainda celebra missa. Podia ser uma personagem de um livro, Tobias Álvares da Silva que nasceu no ano de Marilyn Monroe e Isabel II, e ainda cá está. Uma longa vida como a dele encerra a complexidade das coisas simples que vencem o tempo. Atravessou pleno de força a Primeira República e o Estado Novo, nasceu quando já tinham voltado os soldados que empunharam a Mauser-Vergueiro na I Guerra Mundial e depois da II Guerra, já padre, viveu cheio de vitalidade os longos anos da mordaça de Salazar, para envelhecer em democracia durante tanto tempo que daria para esquecer tudo aquilo que ficou para trás. “Realizado como pessoa e como padre”, talvez porque tenha adequado a vocação e o homem aos factos, teve sempre claro onde se sentia feliz – [Bispo? “Deus me livre”] – e, perante a lentidão da velhice, começou simplesmente a levantar-se mais cedo para conseguir tratar do corpo. Do alto do centenário que celebra e no centro da sua singela geografia, Pedralva, manteve-se sempre atento ao mundo onde vive. Será o único padre da Igreja Católica com 100 anos, que não se afastou de funções e ainda celebra missa como nos conta o jornalista Secundino Cunha.

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