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Edgardo Pacheco

Jornalista

Maior controlo no setor do azeite

09 de setembro de 2016 às 00:30

A casa do azeite, através de Mariana Matos, esteve muito bem ao condenar com rapidez e firmeza os responsáveis por algumas marcas de azeite português embaladas no Brasil que, na realidade, chegavam a meter nas garrafas 10% de azeite e 90% de óleo de soja ou afins... Bravo!

Sucede que, a meu ver, as condenações ao trabalho de investigação da revista ‘Proteste’ do Brasil são insuficientes. Mais importante do que mandar um chico-esperto para tribunal é criar mecanismos de controlo apertado no universo do azeite. Como? Imitando o setor do vinho. Não é preciso criar um grupo de trabalho especializado. Basta copiar o modo de funcionamento das comissões vitivinícolas regionais. E, em especial, a que controla o vinho do Porto, por apresentar um nível de qualidade e rigor impressionante na certificação dos vinhos e no controlo destes quando já estão no mercado. Por exemplo, para azeites sem denominação de origem, a decisão de colocar na garrafa a categoria azeite virgem extra depende somente da vontade do produtor e não de uma análise sensorial ou laboratorial.

O setor do azeite deu passos de gigante em matéria de qualidade. Há milhares de olivicultores que tudo fazem para produzir azeitonas sãs. E há hoje tecnologia de lagar de referência mundial. Pelo que é absurdo aceitar-se que meia dúzia de embaladores sem escrúpulos possa, de um dia para o outro, destruir a boa imagem de um país que, recentemente, deu cartas no mais importante concurso mundial de azeite.

Pela sua história, pela sua riqueza gastronómica e pelo seu papel na proteção da saúde dos consumidores, o azeite é um alimento demasiado sério para ser deixado em roda livre. Nesta matéria, autorregulação não chega.

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