page view

Vanessa Fidalgo

Jornalista

O fantasma de Palmira

27 de novembro de 2016 às 01:45

No que toca à maravilhosa serra de Sintra, não é preciso ter uma imaginação prodigiosa para adivinhar fantásticas histórias que emanam dos seus palacetes e chalets escondidos pelo verde luxuriante e as enigmáticas fragas.

Um desses lugares encantados em pleno coração do Monte da Lua tem o condão de atiçar os sentidos e conjeturas sobre o sobrenatural desde há várias gerações: trata-se do Palácio Valenças, edifício que atualmente alberga o arquivo histórico municipal.

Não é sequer preciso desvendar nenhum mapa nem ser detentor de um segredo exclusivo para lá chegar. Pelo contrário. Situa-se mesmo no centro da vila velha, nas faldas da serra, mais concretamente no extremo sul do Parque da Liberdade e acessível a todos os que o quiserem visitar.

A sua construção data do século XVIII e o projeto, da autoria do arquiteto italiano Giuseppe Cinatti, enquadra-o perfeitamente no espírito romântico e neogótico de Sintra embora com nítida influência italiana e a lembrar levemente os misteriosos palacetes venezianos.

Foi Luís Pereira Jardim, primeiro conde de Valenças que o encomendou e que ali viveu vários anos. Além de detentor de um apurado bom gosto, era também homem capaz de despertar paixões intensas! Pelo menos a avaliar pelas palavras de quem ali trabalha...

Garante um dos vigilantes, de voz sussurrada e olhar tenso, que, quando o Sol se põe e as sombras tomam conta dos corredores forrados de estantes de madeira e livros antigos, da cave "ouve-se a voz do fantasma de Palmira, uma antiga empregada do conde" num tétrico lamento que faz vibrar os vitrais e os lustres.

Palmira, menina e moça criada no palácio, reza a história verdadeira, ter-se-á apaixonado perdidamente pelo conde de Valenças. Não se sabe se alguma vez consumou a paixão, mas é certo que terá ficado durante longos dias e noites à cabeceira do conde no seu leito de morte e nunca mais terá recuperado do desgosto de amor. Não muito depois, ela própria sucumbiu às febres.

Por isso, não é difícil depreender que além da traça original e da preservação de muitas das peças da decoração interior, também Palmira por ali se mantém até hoje.

Manifesta-se em prantos e num lúgubre e melancólico dedilhar de piano, que arrepia e atordoa qualquer um ao ressoar nos velhos salões do palácio vazio quando a noite vai alta...

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Petição

À promoção tem de corresponder um aumento da Remuneração.

Uma Saúde doente

Ministra alertou há quase um ano para tempos de espera inaceitáveis nas urgências, mas nada mudou desde então.

Blog

Seguro teve a sorte de lembrarem que se absteve num Orçamento de Passos Coelho.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8