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Francisco José Viegas

Francisco José Viegas

Escritor

'O Romance dos Três Reinos': uma história de guerra e poeira

31 de maio de 2026 às 00:30

Quando se faz a viagem entre Xi’an e Luoyang às primeiras horas da manhã (são 450 kms, o que demora cerca de 1h20m no comboio de alta velocidade) encontra-se o rio Amarelo por várias vezes ao longo do percurso; Luoyang, que os viajantes visitam sobretudo por causa dos budas gigantescos, tem esse outro rio tranquilo a banhá-la, o Luo, que lhe confere um aspeto melancólico mas luminoso – é uma espécie de fronteira com as montanhas e as florestas do norte. Entre essas montanhas fica a montanha Song, a “Songshan” (Montanha Central), onde se situam o grande templo Shaolin e o templo Zhongyue. É um dos centros da China, uma espécie de marco geodésico do país que, na época dos Três Reinos, ainda não existia como tal. Esse período corresponde a um dos mais turbulentos da história da China, com o último reinado da dinastia Han (206 a.C.-220 d.C., o início do confucionismo enquanto regime), mas estendendo-se àqueles cem anos decisivos, entre 184 d.C., com a revolta dos Turbantes Amarelos até à fundação da dinastia Jin Ocidental em 280 (de que a capital seria brevemente Luoyang).

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