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Francisco José Viegas

Francisco José Viegas

Escritor

'Os Maias’: o grande romance do nosso realismo

28 de junho de 2026 às 00:30

Por vezes, a meio de uma conversa, sou tentado a dizer que ‘Os Maias’ é o livro que mais li ao longo da vida. Mas é falso. Foi ‘A Cidade e as Serras’, que me diverte, comove e é simples como uma história inocente – mas está carregado de talento. O que se passa com ‘Os Maias’ é que, a partir da oitava, nona, décima leitura, já não começamos por aquela frase inaugural que se decora com facilidade (“A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875…”), e que anuncia o Ramalhete – mas por qualquer outra, ao acaso. Porque passámos a abrir o livro em qualquer página e nos felicitamos por existirem um romance e um escritor assim. Com ele, apropriámo-nos de personagens que entraram no domínio público da nossa imaginação, consagrados por frases ou tiques que repetimos sem precisar de citar a origem. Pelo menos era assim até certa altura da nossa educação literária e sentimental, da qual Eça fazia parte integrante, talvez com Camilo, Camões e Pessoa.

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