Há dias, em conversa com um amigo, a propósito dum grande incêndio que deflagrou na zona de Cascais, ele comentava que deviam ter chamado grupos de reclusos do estabelecimento prisional ali perto, vigiados por guardas prisionais, para ajudar ao combate ao fogo. Pareceu-me uma boa ideia em que toda a gente sairia a ganhar. Uma boa forma de promover a reabilitação e ao mesmo tempo contribuir de forma positiva para o bem comum. O que poderia, eventualmente, aliviar prisões sobrelotadas.
Quanto ao sistema prisional em Portugal, parece-me que numa coisa os guardas prisionais e os reclusos estão de acordo: ambos reclamam por melhores condições.
Talvez seja do interesse de todos que alguém que vá preso saia da cadeia reabilitado. Tenho é muitas dúvidas de que o sistema prisional tenha por objectivo a reabilitação dos prisioneiros. Por vezes, entram na cadeia pequenos delinquentes e saem de lá criminosos. Outras vezes, grandes criminosos nem chegam a entrar.
Alguém que roube para alimentar os filhos, se for preciso, é punido mais severamente do que certos senhores que roubam milhões e deixam milhares de pessoas sem as economias de uma vida. Dois pesos e duas medidas.
Li em tempos acerca de uma prisão brasileira que reduzia as sentenças até 48 dias por ano em troca de os prisioneiros lerem livros. Tudo em nome da reabilitação dos reclusos. Provavelmente esse método também já é implantado em Portugal e daí se explique que esses tais empresários, políticos e banqueiros, apanhados em esquemas criminosos, mal metam os pés na cadeia. Leram tantos livros. Depois, como medida de coação, é mandá-los para casa com pulseiras electrónicas.
Acredito que seja um grande inconveniente, nestes dias de calor, estar em casa à beira da piscina a beber umas caipirinhas e uns mojitos com a pulseira no tornozelo. Felizmente o aparelho é à prova de água e sempre dá para ir a banhos. O ideal talvez fosse ter duas pulseiras, uma em cada tornozelo. Assim, depois dos banhos de sol, o bronze fica simétrico. É muito chato e inestético ficar com a marca da pulseira apenas de um lado.
Sugeria que estes senhores – empresários, banqueiros e políticos apanhados em crimes de milhões – fossem convidados a trabalhar. Era pô-los a limpar matas e a ajudar os bombeiros a combater fogos. Ou pô-los numa cozinha de restaurante a lavar pratos e descascar batatas o dia todo. Ou a lavar retretes em centros comerciais e postos de gasolina. Era fazê-los trabalhar anos e anos a fio sem verem um tostão. Não sei se isso os reabilitaria mas pelo menos far-se- -iam úteis e saberiam o que é trabalho honesto.
Eu passo bem sem pulseiras. No máximo, uso um relógio para cumprir os meus horários.
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