Muito tem repetido este Governo e a bancada do PS de que este Orçamento do Estado nenhuma relação tem com políticas de austeridade. Se austeridade for exclusivamente sinónimo de cortes salariais, é verdade que este OE está longe dos tempos da troika.
M as o controlo apertado da despesa permanece lá. Austeridade pode ser bem menos do que a carga ideológica que veio a ser imposta, mas o dicionário ajuda a traduzir o sentido: caráter ou qualidade do que é austero; rigor de disciplina; severidade; contenção de gastos. O próprio ministro das Finanças já assumiu que a principal arma para Portugal se defender de uma crise externa é o controlo apertado das contas públicas.
É certo que existem no OE medidas de apoio às famílias - como a descida do ISP - ou de ajuda às empresas - subsídios à indústria que mais depende do gás para a produção -, mas a inflação será sempre o elefante na sala. Veio para ficar e será a dor de cabeça do Executivo.
O próprio BCE, que via a subida de preços na economia como um fenómeno temporário, já veio reconhecer erros nas previsões que fez. É compreensível que o Governo seja cauteloso na gestão das contas públicas, mas não lhe ficava mal ser também claro e transparente. n
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