A Albânia entrou para a história com a nomeação de Diella, uma ministra criada por IA. Enquanto outros governos ainda debatem chips ou chatbots, Tirana foi direta ao assunto: se os ministros de carne e osso não convencem, porque não tentar com código binário? Diella não reclama subsídio de residência, não pede motorista e, sobretudo, não tem primos à procura de lugar no Estado. Com sorriso digital e currículo impecável (redigido, claro, pelo próprio algoritmo), promete pôr fim à corrupção nas contratações públicas, façanha que, até hoje, nenhum humano ousou concluir sem tropeçar em envelopes suspeitos.
Os críticos dizem que a Constituição não prevê ministros que não se possam apresentar presencialmente, mas, convenhamos, também não previa que tantas pessoas verdadeiras, responsáveis e com cargos públicos, colecionassem processos. Entre a seriedade institucional e a comédia involuntária, Diella já conquistou estatuto de estrela: é incansável, responde em segundos e nunca se engana. Talvez o maior mérito da ministra virtual seja o de mostrar que, no concurso entre humanos e máquinas, a política ainda consegue parecer a mais caricatural das inteligências artificiais.
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