Os últimos dias voltaram a mostrar que a Europa, afinal, conta. Até à passada sexta-feira, os 28 pontos desenhados por Witkoff e Dmitriev previam, na prática, a capitulação da Ucrânia, com patrocínio e benefício dos EUA de Trump e perversa vantagem do agressor. Zelensky, de novo à altura do momento histórico, avisou: "Não queremos perder o aliado americano, mas não podemos perder a dignidade". Em Washington, Rubio e alguns senadores republicanos conseguiram impor ao Presidente a via diplomática mais institucional do Departamento de Estado, em detrimento da ganância dos negócios. Mas a chave terá estado na resposta pronta das diplomacias de Paris, Berlim e Londres: em 48 horas, um contraplano europeu deixou claro, junto dos EUA, três coisas fundamentais: 1) as fronteiras não podem mudar à força, muito menos poderá premiar-se quem agride e mata; 2) a Ucrânia precisa de garantias de segurança robustas para aceitar cessar-fogo durável; 3) o financiamento da Defesa ucraniana terá de continuar por alguns anos, sem limitações irrealistas ao exército de Kiev, perante o realismo de uma Ucrânia fora da NATO e num caminho de integração europeia. A partir daqui, já podemos falar em "negociação aceitável". Há um imenso caminho diplomático a percorrer.
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